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Defesa do ex-presidente do INSS diz que “comprovará a inocência” após prisão

Por Leticia Florenço
13/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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A manhã desta quinta-feira (13) foi marcada por uma nova fase da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU).

Um dos principais alvos foi Alessandro Stefanutto, ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), preso sob suspeita de participação em um esquema bilionário de descontos ilegais em aposentadorias e pensões.

As autoridades estimam que os desvios podem ter atingido R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024, afetando milhões de beneficiários em todo o país. Ao todo, 63 mandados de busca e prisão foram cumpridos no Distrito Federal e em 14 estados brasileiros.

Defesa afirma que prisão é “ilegal” e que inocência será comprovada

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Em nota oficial, os advogados de Stefanutto afirmaram que ainda não tiveram acesso ao teor da decisão judicial que determinou a prisão e classificaram a medida como “completamente ilegal”.

A defesa sustenta que o ex-presidente sempre colaborou com as investigações, jamais tentou obstruir a apuração e está tranquilo e confiante de que a verdade será restabelecida ao fim do processo.

“A prisão é desnecessária e injustificada. Stefanutto jamais causou qualquer embaraço ao trabalho da Polícia Federal e segue convicto de que sua inocência será comprovada”, diz o comunicado.

Entenda o esquema de fraudes investigado

As apurações da PF revelam que associações fantasmas vinham cobrando mensalidades indevidas de aposentados e pensionistas, com descontos automáticos no benefício, sem qualquer autorização dos titulares.

Essas entidades alegavam oferecer vantagens como assistência jurídica, planos de saúde e convênios diversos, mas, na prática, não possuíam estrutura nem prestavam os serviços prometidos.

O golpe funcionava com a inserção de dados falsos nos sistemas oficiais do INSS, simulando a adesão dos beneficiários a essas associações. Diversos ex-dirigentes do órgão são apontados como responsáveis por facilitar o esquema em troca de propina.

Operação Sem Desconto

A quarta fase da Operação Sem Desconto levou à prisão de nove pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e empresários ligados a associações suspeitas. Entre os principais nomes estão:

  • Alessandro Stefanutto, ex-presidente do INSS
  • Antônio Carlos Antunes Camilo, conhecido como “Careca do INSS”
  • Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho, ex-procurador-geral do INSS
  • Thaisa Hoffmann, empresária e esposa de Virgílio
  • André Paulo Félix Fidelis, ex-diretor de Benefícios do INSS
  • Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho (ITT)
  • Tiago Abraão Ferreira Lopes, da Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer)
  • Cícero Marcelino de Souza Santos e Samuel Chrisostomo do Bonfim Júnior, também ligados à Conafer

As ações ocorreram no Distrito Federal e em 14 estados, entre eles São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Pernambuco e Rio Grande do Sul. Durante as buscas, foram apreendidos valores em espécie, documentos e dispositivos eletrônicos.

Impacto sobre os aposentados e a devolução dos valores

O governo federal já iniciou a devolução dos valores descontados indevidamente, em parcela única, a milhões de beneficiários prejudicados. Segundo o INSS, mais de 6 milhões de pessoas contestaram descontos não autorizados em seus pagamentos. Destas, 4,8 milhões já estão aptas a receber a restituição.

O prazo para solicitar a devolução foi prorrogado até 14 de fevereiro de 2026, e o processo pode ser feito por três canais:

  • Meu INSS (site ou aplicativo)
  • Central 135 (ligação gratuita)
  • Agências dos Correios

O que dizem outros investigados

Além de Stefanutto, outros envolvidos também se manifestaram:

  • O deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) declarou não ter qualquer relação com o INSS e se disse favorável à investigação.
  • A defesa de Antônio Carlos Antunes Camilo afirmou desconhecer o teor da decisão judicial.
  • As defesas de Virgílio de Oliveira e Thaisa Hoffmann optaram por não se pronunciar até o momento.

O futuro das investigações

A PF e a CGU seguem analisando milhares de registros de descontos e transferências bancárias, cruzando informações com dados de sistemas previdenciários e das associações envolvidas.

As investigações apontam para crimes de corrupção ativa e passiva, estelionato previdenciário, inserção de dados falsos em sistemas públicos e lavagem de dinheiro.

Com o avanço da operação, novas prisões e quebras de sigilo podem ocorrer nas próximas semanas. A expectativa é de que a apuração revele a amplitude exata das fraudes e seus beneficiários diretos.

Nos próximos meses, o caso promete mobilizar a opinião pública e o cenário político, tornando-se um dos maiores escândalos previdenciários da última década.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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