Mais Tendências - Tribuna de Minas
  • Cidade
  • Contato
  • Região
  • Política
  • Economia
  • Esportes
  • Cultura
  • Empregos
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados
Mais Tendências - Tribuna de Minas
Sem resultados
Ver todos os resultados

Decisão de Lula acaba com benefícios ligados à venda de atletas

Por Leticia Florenço
15/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
0
Lula - Reprodução

Lula - Reprodução

A sanção da segunda lei complementar que regulamenta a reforma tributária marcou um novo capítulo no debate fiscal brasileiro.

Embora o texto tenha sido aprovado pelo Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu vetar dispositivos considerados incompatíveis com o equilíbrio das contas públicas e com a lógica do novo sistema tributário.

Entre os pontos mais sensíveis está o fim de benefícios ligados à venda de jogadores por clubes organizados como Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), além de alterações em programas de fidelidade, cashback social, tributação municipal e incentivos regionais.

Ao todo, dez dispositivos do PLP 108 foram vetados, conforme justificativas publicadas no Diário Oficial da União, evidenciando a tentativa do governo de alinhar a reforma à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e evitar brechas fiscais.

SAFs na mira

Um dos vetos de maior repercussão atinge diretamente o futebol brasileiro. O Congresso havia aprovado um trecho que retirava da base de cálculo dos novos tributos os valores obtidos com a venda de atletas por SAFs.

Com a decisão presidencial, essas receitas voltam a ser tributadas, encerrando um benefício considerado excessivo pela equipe econômica.

Além disso, Lula vetou a redução da carga tributária total das SAFs de 6% para 5%. Dessa forma, a tributação permanece estruturada da seguinte maneira:

  • 4% de tributos que não foram alterados pela reforma;
  • 1% de CBS, tributo federal;
  • 1% de IBS, imposto compartilhado entre estados e municípios.

Segundo o Ministério da Fazenda, a redução da alíquota configuraria a criação de um novo benefício fiscal sem compensação, prática vedada pela LDO. Na avaliação do governo, manter privilégios específicos poderia comprometer a neutralidade do novo sistema tributário.

Programas de fidelidade escapam de nova tributação

Outro ponto vetado envolveu os programas de fidelidade, como milhas aéreas e pontos concedidos gratuitamente. O texto aprovado no Congresso previa a tributação de pontos não onerosos, obtidos por cadastro, promoções ou compensações por atrasos de voo.

Atendendo a um pedido do Ministério da Fazenda, Lula barrou a medida. Com isso, esses pontos permanecem fora da base de cálculo do IBS e da CBS, evitando impactos diretos sobre consumidores e empresas do setor aéreo e de serviços.

Cashback não será estendido ao gás canalizado

A proposta de estender o cashback tributário ao gás canalizado também foi vetada. O Congresso havia incluído a possibilidade de devolução de tributos mesmo em regimes de tributação monofásica, nos quais o imposto é cobrado em apenas um elo da cadeia produtiva.

Para a equipe econômica, a exceção criaria incompatibilidade com o modelo geral da reforma, abrindo precedentes difíceis de sustentar no longo prazo. Assim, o benefício permanece restrito ao que já foi definido na primeira lei complementar.

Como funciona o cashback social da reforma tributária

O cashback, voltado à população de baixa renda, já está regulamentado e prevê:

  • 100% de devolução da CBS;
  • Pelo menos 20% de devolução do IBS sobre:
    • Água;
    • Botijão de gás;
    • Energia elétrica;
    • Telefone e internet;
    • Esgoto.

Para os demais produtos e serviços, a devolução será de 20% da CBS e do IBS, com estados e municípios podendo ampliar o percentual do IBS conforme decisão local.

Alimentos líquidos e riscos de distorção concorrencial

Lula também vetou a inclusão genérica de “alimentos líquidos naturais” na lista de produtos com redução de 60% das alíquotas. A Fazenda avaliou que a redação era ampla demais e poderia gerar distorções concorrenciais, especialmente entre leites tradicionais e bebidas vegetais ou sucos.

Segundo o governo, a falta de especificidade abriria espaço para disputas judiciais e perda de arrecadação sem critérios técnicos claros.

ITBI

Outro veto relevante atingiu o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI). O projeto previa que o imposto pudesse ser pago antecipadamente, no momento da formalização do título de transferência.

A medida foi barrada após manifestação da Frente Nacional de Prefeitos, que alertou para a diversidade de sistemas de arrecadação entre os municípios e as dificuldades de adaptação. Com o veto, cada prefeitura mantém suas regras próprias para cobrança do tributo.

Zona Franca de Manaus e combate à fraude

No campo regional e jurídico, Lula retirou do texto a atribuição exclusiva da Superintendência da Zona Franca de Manaus para regulamentar procedimentos de fiscalização, ampliando o escopo da norma e evitando concentração excessiva de poder regulatório.

Também foi vetada a definição legal de “simulação” como fraude fiscal. Segundo a Fazenda, o conceito proposto divergiria de interpretações consolidadas no Judiciário, o que poderia gerar insegurança jurídica e disputas tributárias.

O que muda a partir de agora

Com a sanção e os vetos, a segunda etapa da regulamentação da reforma tributária entra oficialmente em vigor, consolidando um sistema mais amplo e uniforme. No entanto, o processo ainda não está encerrado: o Congresso Nacional pode analisar os vetos e decidir pela manutenção ou derrubada de cada um deles.

Enquanto isso, a decisão presidencial sinaliza uma postura mais rígida contra benefícios fiscais específicos, especialmente aqueles ligados a setores com alto potencial de arrecadação, como o futebol profissional.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
LogoCaro leitor,

O acesso ao conteúdo será liberado imediatamente após o anúncio.

Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

Próximo post
Preço de exames médicos e psicotécnico para CNH diminui 40% - Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Preço de exames médicos e psicotécnico para CNH diminui 40%

Confira!

Geladeira - Reprodução/Unsplash

Por quantos anos uma geladeira deveria funcionar antes de precisar ser trocada

01/06/2026

RG antigo ainda vale por mais alguns anos, mas tem um grupo que precisa trocar com urgência

01/06/2026
Alto-falante - Reprodução

O jeito certo de limpar o alto-falante do celular sem danificá-lo

01/06/2026

Copyright Tribuna de Minas. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo dessa página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a autorização escrita da Tribuna de Minas

Contato

Bem-vindo de volta!

Faça login abaixo

Esqueceu a senha?

Recupere sua senha

Insira seu nome de usuário ou endereço de e-mail para redefinir sua senha.

Log In

Adicionar nova Playlist

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Contato

Tribuna de Minas