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Data oficial para mudar regras no trabalho aos domingos e feriados

Por Leticia Florenço
10/05/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Trabalho - Reprodução/Unsplash

Trabalho - Reprodução/Unsplash

Em um movimento importante, o Ministério do Trabalho e Emprego anunciou uma nova regulamentação para o setor comercial, alterando as condições de funcionamento aos domingos e feriados.

A principal mudança é que, a partir de 1º de julho de 2025, o trabalho nesses dias só poderá ocorrer se for acordado através de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT), algo que altera profundamente a legislação vigente nos últimos anos. A medida, que se arrasta após sucessivos adiamentos, visa equilibrar as relações de trabalho no setor e garantir os direitos dos trabalhadores.

O que muda realmente?

A legislação brasileira sempre permitiu o trabalho em domingos e feriados no comércio, mas com regras bem definidas. Anteriormente, era permitido que patrões e empregados firmassem acordos individuais sobre o trabalho nesses dias.

Porém, a nova portaria do governo impõe a necessidade de uma Convenção Coletiva de Trabalho, um acordo entre os sindicatos patronais e os sindicatos dos trabalhadores, para que o expediente aos domingos e feriados seja realizado.

Essa mudança visa garantir maior controle e negociação em vez de acordos informais, buscando assegurar condições de trabalho mais equilibradas.

Necessidade de Convenção Coletiva de Trabalho (CCT)

A convenção coletiva é um acordo formal entre o sindicato dos patrões e o sindicato dos empregados de uma categoria profissional. Com a nova regulamentação, a possibilidade de trabalhar aos domingos e feriados dependerá dessa negociação.

Esse mecanismo fortalece a negociação coletiva, dando voz aos trabalhadores e permitindo que suas condições de trabalho sejam discutidas de forma mais estruturada. Além disso, cada categoria dentro do comércio poderá estabelecer regras específicas de acordo com suas necessidades e particularidades.

Exceção das feiras livres

Embora a medida afete amplamente o setor de comércio, ela não se aplica a todos os tipos de atividade. As feiras livres, por exemplo, são uma exceção, e seu funcionamento aos domingos e feriados não poderá ser regulamentado pela CCT.

Isso significa que os trabalhadores dessas atividades continuam sujeitos à legislação anterior, que limita o trabalho em determinados dias, sem a necessidade de convenções coletivas.

Relevância do cumprimento das legislações municipais

Outro ponto crucial da nova regulamentação é a exigência de que os patrões cumpram as legislações municipais específicas sobre o trabalho aos domingos e feriados.

Em gestões anteriores, esse cumprimento não era uma obrigação direta, mas agora será necessário que as empresas se adequem às normas locais, respeitando as especificidades de cada município.

Impactos para patrões e trabalhadores

Para os patrões, a nova regra significa que a flexibilidade obtida anteriormente, com acordos individuais, será substituída por uma negociação mais formalizada. Isso poderá implicar em mais custos administrativos, mas, por outro lado, garante maior previsibilidade nas condições de trabalho e evita litígios trabalhistas com sindicatos.

Já para os trabalhadores, a medida fortalece a proteção, garantindo que as condições de trabalho nos dias de descanso sejam acordadas e respeitadas por ambas as partes.

Histórico de adiamentos e pressões políticas

A portaria que trouxe essas mudanças foi originalmente publicada em 13 de novembro de 2023, mas só entrará em vigor em 1º de julho de 2025, após sucessivos adiamentos.

Esses adiamentos ocorreram devido a pressões tanto de setores comerciais quanto de parlamentares, que manifestaram preocupações sobre o impacto da medida.

Além disso, houve reclamações por parte de entidades sindicais que alegaram que a regulamentação anterior estava sendo desrespeitada e que as condições de trabalho no comércio estavam sendo prejudicadas pela falta de uma negociação mais organizada.

Objetivo da medida

A principal justificativa para a criação dessa nova regulamentação é fortalecer o espírito da negociação coletiva. O governo atual argumenta que, ao exigir uma convenção coletiva, as negociações se tornam mais transparentes e justas, além de garantir que as condições de trabalho sejam adequadas tanto para os empregadores quanto para os empregados.

A mudança também é uma resposta às críticas de que, com a legislação anterior, muitos trabalhadores estavam sendo forçados a trabalhar em condições desfavoráveis, sem a devida negociação. Assim, o objetivo é criar um equilíbrio nas relações de trabalho no comércio, promovendo um ambiente mais justo.

Como os sindicatos precisam se organizar

Os sindicatos, tanto patronais quanto dos trabalhadores, terão um papel fundamental nesse novo modelo. Eles serão responsáveis por garantir que a convenção coletiva seja formalizada e que as regras acordadas atendam aos interesses de ambas as partes.

Isso exigirá um maior grau de organização e diálogo entre os envolvidos, além de um acompanhamento contínuo para garantir o cumprimento das normas estabelecidas.

Desafios e expectativas

Apesar das boas intenções, a implementação dessa regulamentação pode enfrentar desafios, especialmente em um mercado que já opera com um ritmo acelerado e com a pressão constante de resultados.

Além disso, será fundamental observar como os sindicatos se adaptarão a essa mudança e qual será o impacto real nas pequenas e médias empresas que, muitas vezes, enfrentam dificuldades para negociar convenções coletivas.

A expectativa é que, com o tempo, os resultados sejam positivos, trazendo um equilíbrio mais saudável entre empregador e empregado.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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