A fabricante de brinquedos Estrela solicitou recuperação judicial em 2026, em um processo que também inclui outras empresas do mesmo grupo econômico.
O pedido foi apresentado na comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e visa reorganizar as dívidas, conter o avanço da crise financeira e garantir a continuidade das atividades.
A medida alcança cerca de oito companhias do grupo, entre elas unidades industriais, de distribuição e de licenciamento.
O plano de reestruturação tem como foco a manutenção dos postos de trabalho e a preservação da cadeia produtiva.
Motivos pra recuperação judicial
Fatores financeiros e operacionais
- Aumento do custo do capital, restrição de crédito no mercado e necessidade de reorganização financeira.
- Desempenho recente com receita em torno de R$ 60 milhões em um trimestre e prejuízo próximo de R$ 40 milhões no mesmo período.
- Histórico de resultados negativos e desequilíbrio entre receitas operacionais e despesas financeiras em períodos anteriores.
Endividamento e passivos
- Dívida aproximada de R$ 115 milhões e prejuízos acumulados superiores a R$ 660 milhões.
- Renegociação de cerca de R$ 750 milhões em débitos tributários em 2025 junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional.
- Manutenção de pressão financeira devido a juros elevados e dificuldade de acesso a crédito.
Mercado e fatores estruturais
- Mudanças no comportamento do consumidor infantil, com redução da demanda por brinquedos físicos e maior interesse por produtos eletrônicos e digitais.
- Concorrência crescente de produtos importados a preços mais baixos, especialmente do mercado asiático.
Gigante dos brinquedos
A empresa afirma que manterá suas atividades sem interrupções ao longo do processo, preservando a produção, as vendas e o atendimento a consumidores e lojistas.
A continuidade da recuperação judicial depende de autorização do Judiciário para que possam avançar as negociações com credores e a elaboração de um plano de reestruturação das dívidas.
Criada em 1937, a Estrela se firmou como uma das principais fabricantes de brinquedos do Brasil, com produtos que se tornaram referência para diferentes gerações, como Banco Imobiliário, Genius, Susi e Falcon.
Ao longo de sua trajetória, a companhia já passou por outras fases de reestruturação, incluindo procedimentos semelhantes em 2004 e 2008, relacionados a dificuldades financeiras e à perda de competitividade no mercado.






