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Criatura pré-histórica devora tubarão e aterroriza cientistas

Por Leticia Florenço
15/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Um peixe que parece ter saído direto de um livro de história natural causou espanto entre pescadores e cientistas na costa do Reino Unido.

Conhecido por sua alimentação insólita, incluindo tubarões inteiros, o wreckfish do Atlântico (Polyprion americanus), também chamado de cherne-poveiro, é uma espécie pré-histórica que vive a centenas de metros de profundidade e pode chegar a impressionantes 100 anos de idade.

Sua rara aproximação da superfície e sua capacidade de predar animais do tamanho de tubarões geraram repercussão mundial.

O registro mais recente ocorreu na Baía de Falmouth, onde o pescador e YouTuber Owen Mates capturou o exemplar enquanto tentava fisgar tubarões.

O peixe, medindo cerca de 70 a 80 centímetros e pesando entre 4,5 e 5,5 quilos, chamou atenção não apenas pelo tamanho, mas também pelo comportamento incomum de se aproximar da embarcação.

O caso pode se tornar um dos registros mais próximos do litoral britânico, já que a espécie raramente se aproxima de águas rasas.

Captura histórica

Owen descreveu a experiência como inacreditável. Usando um filé de cavala como isca para tubarões, ele viu o wreckfish circular o barco antes de atacar a isca. O momento foi registrado em vídeo, e após algumas fotos, o peixe foi devolvido com segurança ao mar.

Pesquisas posteriores revelaram a raridade do encontro: exemplares capturados com vara são praticamente inéditos na região, sendo o último registro conhecido de 2001, no Canal da Mancha.

O grande peixe capturado pode superar o atual recorde britânico de pesca com vara, de 5,3 kg, de 2001 — Foto: Reprodução / Youtube
Foto: Reprodução / Youtube

“Só quando chegamos em casa percebemos o quão raro era esse peixe”, afirmou Owen. “Pode ser um dos únicos casos de um wreckfish pescado tão próximo do litoral da Cornualha.”

O comedor de tubarões

Não é apenas a proximidade com a superfície que torna o wreckfish tão extraordinário. Um vídeo obtido pela NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA) mostra a criatura devorando um tubarão inteiro.

A gravação foi feita em uma área onde se acreditava existir um naufrágio, mas, em vez de destroços, câmeras remotas captaram tubarões em frenesi alimentar e, em meio a eles, um enorme wreckfish surgindo com um tubarão na boca.

Cientistas sugerem que o ataque ocorreu após o peixe não conseguir consumir outro animal, um espadarte de 2,5 metros. Essa capacidade de atacar presas tão grandes reforça a reputação da espécie como predador de emboscada das profundezas, capaz de engolir presas inteiras com sua boca ampla e poderosa.

Características físicas e comportamento

O wreckfish do Atlântico apresenta características que parecem de outro tempo:

  • Tamanho impressionante: Pode atingir até 2,1 metros de comprimento e pesar até 100 quilos.
  • Aparência robusta: Cabeça grande, mandíbula proeminente e corpo musculoso com escamas azul-acinzentadas no dorso e brilho prateado no ventre; nadadeiras escuras, marrons ou quase negras.
  • Diferenças juvenis: Os jovens possuem manchas pretas e formam cardumes, buscando abrigo sob objetos flutuantes.
  • Comportamento solitário: Adultos vivem isolados, sendo curiosos e frequentemente se aproximando de mergulhadores.
  • Dieta variada: Inclui peixes de fundo, lulas, polvos, crustáceos e, ocasionalmente, tubarões inteiros.
  • Predador oportunista: Se esconde e ataca com emboscadas, aproveitando a grande boca para capturar presas inteiras.

O impacto científico e a fascinação humana

O registro do wreckfish próximo à superfície é de grande importância para pesquisadores marinhos, que ainda estudam hábitos e distribuição da espécie. Por viver a grandes profundidades, informações sobre seu comportamento e ecologia são escassas.

A curiosidade dos wreckfish em relação aos humanos e sua impressionante capacidade predatória despertam tanto fascínio quanto temor, reforçando a imagem da espécie como um verdadeiro “fóssil vivo” das profundezas oceânicas.

Esse episódio é mais uma lembrança de que os oceanos ainda guardam mistérios surpreendentes, com criaturas capazes de desafiar expectativas científicas e nos fazer sentir como exploradores de um mundo quase alienígena.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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