A declaração pré-preenchida do Imposto de Renda 2026, considerada uma das principais apostas da Receita Federal do Brasil para simplificar o envio de dados, passou a ser alvo de críticas após provocar um aumento no número de contribuintes retidos na malha fina.
Dados do próprio órgão indicam que, no início do prazo, 19,3% das declarações apresentaram inconsistência, o equivalente a quase dois em cada dez envios.
Nos dias seguintes, o índice recuou para 10,6%, após a identificação de falhas recorrentes nos dados utilizados pelo sistema automático. Ainda assim, o volume é considerado elevado para um modelo que tem como objetivo reduzir erros e facilitar o preenchimento.
Transição de sistemas expôs inconsistências
A mudança na base de coleta de informações é apontada como um dos principais fatores por trás do problema. Com o fim da Dirf, a Receita passou a depender integralmente de plataformas digitais como o eSocial e a EFD-Reinf.
A nova estrutura ampliou a capacidade de cruzamento de dados, mas também revelou falhas no envio de informações por parte de empresas, sobretudo as de pequeno e médio porte, que enfrentam dificuldades técnicas na parametrização dos sistemas.
Falhas em rendimentos lideram ocorrências
Entre os principais problemas identificados estão erros na classificação de rendimentos como salários, férias e 13º salário.
Em diversos casos, valores foram informados com códigos incorretos ou não foram devidamente registrados, gerando divergências entre os informes de rendimentos e os dados disponíveis na Receita.
Também foram registradas inconsistências envolvendo rendimentos isentos, que apareceram como tributáveis, e vice-versa, impactando diretamente o cálculo do imposto devido e aumentando o risco de retenção.
Dados duplicados e códigos incorretos ampliam divergências
Outro foco de inconsistência está na declaração de lucros e dividendos, especialmente entre contribuintes que também atuam como empresários. O uso inadequado de códigos fiscais tem provocado conflitos entre as informações de pessoa física e jurídica.
Além disso, casos de duplicidade em despesas médicas, principalmente relacionadas a planos de saúde, foram identificados com frequência. O problema ocorre quando dados são enviados por diferentes sistemas e acabam sendo registrados mais de uma vez na declaração pré-preenchida.
Receita atribui erros às fontes pagadoras
A Receita Federal afirma que não gera informações, apenas consolida dados enviados por terceiros, como empresas, bancos e operadoras de saúde. Dessa forma, inconsistências na pré-preenchida têm origem, na maioria dos casos, nas próprias fontes pagadoras.
Segundo o órgão, grandes instituições apresentam menor índice de falhas, enquanto empresas menores concentram a maior parte dos erros, muitas vezes por dificuldades operacionais no envio correto das informações.
Contribuinte deve priorizar documentos oficiais
Diante do cenário, a orientação é que o contribuinte utilize como base principal os informes de rendimentos fornecidos por empresas e instituições financeiras. A conferência com holerites, recibos médicos e extratos bancários é considerada essencial para evitar divergências.
Mesmo que os dados declarados sejam diferentes da pré-preenchida, especialistas destacam que o mais importante é a capacidade de comprovação das informações, o que reduz riscos em eventuais fiscalizações.
Correções podem liberar declaração automaticamente
A Receita também informou que realiza cruzamentos periódicos de dados. Caso a fonte pagadora corrija as informações e reenvie aos sistemas oficiais, a declaração do contribuinte pode ser reprocessada e liberada automaticamente, sem necessidade de ação adicional.
Com mais de 11 milhões de declarações já enviadas, o prazo final para entrega, marcado para 29 de maio, intensifica a pressão sobre os contribuintes. A recomendação é evitar o envio apressado e revisar cuidadosamente todas as informações antes da transmissão.
Uso da pré-preenchida exige atenção em 2026
Embora continue sendo uma ferramenta útil, a declaração pré-preenchida exige atenção redobrada neste ano. A automatização, apesar de prática, não elimina a responsabilidade do contribuinte na verificação dos dados.
O cenário reforça a importância de uma postura ativa na conferência das informações, especialmente em um momento de transição tecnológica nos sistemas fiscais brasileiros.





