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Consumo de suplemento cognitivo pode reduzir longevidade masculina

Por Leticia Florenço
02/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Reprodução/iStock

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Um estudo recente publicado na revista Aging-US trouxe à tona preocupações sobre os efeitos de aminoácidos amplamente utilizados como suplementos para melhorar foco, desempenho mental e motivação.

A pesquisa sugere que a tirosina, em particular, pode estar associada à redução da expectativa de vida em homens, levantando alertas sobre o consumo indiscriminado desses produtos, especialmente sem acompanhamento médico ou nutricional.

Aminoácidos e a promessa dos suplementos

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Fenilalanina e tirosina são aminoácidos presentes naturalmente em alimentos ricos em proteína, como carnes, ovos, laticínios e leguminosas.

Eles desempenham funções fundamentais no metabolismo e na produção de neurotransmissores, como dopamina, norepinefrina e epinefrina, que influenciam o humor, a motivação e a cognição.

Por conta dessas funções, ambos ganharam espaço no mercado de suplementos cognitivos. A tirosina, em particular, é comercializada como um “turbo” para a mente, prometendo melhorar atenção, foco e resistência ao estresse mental.

Mas o novo estudo indica que há um lado potencialmente perigoso nessa história, especialmente para os homens.

Pesquisa internacional com dados genéticos e de saúde

O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Hong-Kong e da Universidade da Georgia, que analisaram dados do UK Biobank, um dos maiores bancos de dados biomédicos do mundo, contendo informações de mais de 270 mil participantes.

Os cientistas combinaram análises observacionais e modelagens genéticas para investigar se os níveis sanguíneos de fenilalanina e tirosina poderiam estar associados ao tempo de vida. Inicialmente, ambos os aminoácidos pareceram correlacionados com maior risco de morte.

Contudo, análises mais detalhadas revelaram que apenas a tirosina manteve uma relação consistente e potencialmente causal com menor longevidade em homens.

Impacto na expectativa de vida masculina

Homens com níveis elevados de tirosina apresentaram uma redução média de quase um ano na expectativa de vida. Já nas mulheres, não foi identificada qualquer associação significativa, sugerindo que o efeito é específico do sexo masculino.

Segundo os pesquisadores, essa diferença pode ser parcialmente explicada pelo fato de que homens tendem a ter níveis naturalmente mais altos de tirosina do que mulheres, o que poderia contribuir para a histórica disparidade na longevidade entre os sexos.

Possíveis mecanismos biológicos

Embora os cientistas ainda não tenham identificado exatamente por que a tirosina impacta homens de forma tão distinta, algumas hipóteses surgem:

  • Resistência à insulina: A tirosina pode interferir em processos metabólicos que afetam a sensibilidade à insulina, aumentando o risco de doenças relacionadas ao envelhecimento, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e distúrbios metabólicos.
  • Neurotransmissores ligados ao estresse: A tirosina participa da produção de dopamina e norepinefrina, neurotransmissores que regulam respostas ao estresse. O excesso desses compostos pode ativar vias hormonais e metabólicas que, ao longo do tempo, impactam a saúde masculina de maneira negativa.
  • Diferenças hormonais entre os sexos: Estudos anteriores já indicaram que homens e mulheres respondem de forma distinta a alterações nos níveis de aminoácidos e neurotransmissores, o que pode explicar a ausência de efeito nas mulheres.

Implicações para o uso de suplementos

Embora o estudo não tenha testado diretamente o uso de suplementos de tirosina, os resultados levantam questões importantes sobre seu consumo de longo prazo.

Homens que fazem uso desses produtos ou que têm dietas ricas em proteínas podem estar aumentando inadvertidamente seus níveis sanguíneos de tirosina, com potenciais consequências para a longevidade.

Os autores sugerem que ajustes dietéticos, como moderação no consumo total de proteínas e atenção ao equilíbrio nutricional, poderiam ajudar a reduzir os níveis do aminoácido no organismo.

No entanto, eles enfatizam que ainda são necessárias mais pesquisas para confirmar se mudanças alimentares ou no estilo de vida podem, de fato, prolongar a vida masculina de forma segura.

Alerta aos consumidores

O estudo reforça a necessidade de cautela com suplementos prometendo melhorias cognitivas rápidas. A busca por performance mental não deve colocar em risco a saúde a longo prazo, especialmente quando evidências científicas sobre efeitos adversos ainda estão surgindo.

Especialistas recomendam que homens consultem nutricionistas ou médicos antes de utilizar produtos à base de tirosina e considerem uma alimentação equilibrada como primeira estratégia para manter funções cognitivas saudáveis.

O excesso de aminoácidos, mesmo os naturais, pode trazer consequências inesperadas, lembrando que, na ciência da nutrição e longevidade, mais nem sempre é melhor.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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