O consumo compulsivo de notícias negativas, conhecido como doomscrolling, tem se tornado um desafio crescente para a saúde mental no ambiente digital. O termo, que combina “doom” (destino) e “scrolling” (rolagem), descreve o hábito de buscar continuamente conteúdos alarmantes, motivado por curiosidade, ansiedade ou pela percepção de necessidade de se manter informado.
Apesar da sensação de estar atualizado, pesquisas indicam que esse comportamento ativa circuitos cerebrais semelhantes aos de vícios, reforçando o consumo mesmo diante de efeitos emocionais adversos. Neurocientificamente, o cérebro humano processa informações ameaçadoras com mais intensidade que estímulos positivos.
Consumo de notícias ruins
Em ambientes digitais saturados de notícias chamativas, essa predisposição é ampliada, ativando a amígdala e aumentando a liberação de cortisol, hormônio do estresse, enquanto reduz a atividade do córtex pré-frontal, responsável pelo raciocínio crítico.
Estudos da University Hospitals mostram que cada nova postagem gera pequenas liberações de dopamina, reforçando a sensação de recompensa e o desejo de continuar rolando a tela (Freedom Research Lab). Pesquisas apontam impactos claros no bem-estar.
- Uma análise publicada na Personality and Individual Differences, com mais de 800 adultos, relacionou o hábito de doomscrolling a níveis elevados de ansiedade, depressão e menor bem-estar subjetivo.
- Estudos da Universidade de Oklahoma indicam que pessoas com alta intolerância à incerteza são mais propensas ao comportamento, enquanto a resiliência psicológica atua como fator protetor.
- Pesquisas de 2024 sobre uso excessivo de telas apontam prejuízos na atenção sustentada e na memória de trabalho, fenômeno vinculado à “deterioração cognitiva digital”.
- O Journal of Media Psychology indica que consumir notícias negativas por mais de uma hora diária aumenta em 30% os sintomas de ansiedade.
Como lidar com esse hábito?
O hábito de doomscrolling acarreta exaustão emocional, irritabilidade, sobrecarga de informações e uma visão distorcida da realidade, intensificando pensamentos catastróficos e ciclos de desconfiança. Com frequência, surgem distúrbios do sono e queda no bem-estar subjetivo.
Para mitigar esses efeitos, especialistas orientam a estabelecer horários fixos para se atualizar, evitar o consumo de notícias negativas à noite, priorizar fontes confiáveis, equilibrar o feed com conteúdos educativos ou positivos, realizar pausas longe das telas e praticar técnicas de atenção plena e meditação para fortalecer a resiliência emocional.






