Famosa pela produção em larga escala, a China aplicou essa lógica também ao setor de shoppings. Enquanto nos Estados Unidos cerca de um em cada seis centros comerciais fechou desde 2013, quando o setor atingiu seu auge, o país asiático seguiu em sentido oposto: dobrou o número de empreendimentos no período e chegou a 6.700 unidades.
O crescimento acelerado, porém, gerou desequilíbrios. Alguns shoppings prosperam, mas muitos enfrentam baixa frequência de clientes e dificuldades financeiras. Em Dalian, no nordeste do país, a Apple fechou em agosto sua loja no InTime City — o primeiro encerramento da marca na China. A segunda unidade da cidade, no shopping Olympia 66, segue ativa e absorveu parte da equipe.
Fechamento da Apple
O avanço do comércio eletrônico tem agravado as dificuldades do varejo tradicional. Na China, o serviço de entregas é rápido e de baixo custo, sustentado por uma força de trabalho estimada em 10 milhões de pessoas, que utilizam desde scooters elétricas até veículos autônomos e drones. Esse modelo consolidou as compras online e esvaziou ainda mais os shoppings.
A raiz do problema, contudo, está no padrão de expansão do setor imobiliário. Mesmo diante da desaceleração do consumo, incorporadoras mantiveram um ritmo intenso de construções, sustentadas por endividamento e favorecidas por incentivos fiscais.
Como os governos locais arrecadam mais impostos sobre centros comerciais do que sobre residências, a inclusão de shoppings em grandes empreendimentos tornou-se regra. Somente em 2024, foram inaugurados 430 novos complexos no país.
Shoppings da China
Enquanto shoppings como o Olympia 66 mantêm movimento, outros, como o InTime City, exibem vitrines vazias e enfrentam disputas judiciais após crises financeiras agravadas pela pandemia. Segundo a Associação de Comércio Geral da China, dois terços das lojas de departamento registraram queda em vendas e lucros no último ano.
A retração no consumo também reflete a desvalorização dos imóveis residenciais, que reduziu a riqueza da classe média e tornou os gastos mais cautelosos. Mesmo assim, cidades com base industrial e turística forte, como Dalian, apresentaram resultados positivos: o varejo local cresceu 7,4% no primeiro semestre de 2025 em relação ao mesmo período de 2024.






