O sistema de pagamentos instantâneos mais popular do Brasil entrou em uma nova fase de segurança. Desde fevereiro de 2026, passaram a valer mudanças importantes determinadas pelo Banco Central para reduzir fraudes, golpes financeiros e crimes praticados por meio do Pix.
As medidas representam um avanço para proteger usuários e dificultar a ação de criminosos, especialmente em um cenário onde golpes digitais se tornaram cada vez mais sofisticados.
As novas regras atingem diretamente bancos, fintechs e instituições de pagamento, que agora precisam adotar mecanismos mais rigorosos de rastreamento, bloqueio e devolução de valores suspeitos.
MED 2.0 amplia rastreamento do dinheiro roubado
A principal novidade é a atualização do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED.
Antes, quando uma vítima sofria um golpe, o sistema conseguia bloquear valores apenas na primeira conta para onde o dinheiro havia sido enviado. Isso permitia que criminosos transferissem rapidamente os recursos para outras contas, dificultando a recuperação.
Com o novo modelo, chamado informalmente de MED 2.0, o rastreamento foi ampliado para até cinco níveis de movimentação financeira. Isso significa que, mesmo que o dinheiro passe por várias contas diferentes, o sistema consegue seguir esse percurso e bloquear recursos em etapas subsequentes.
Essa mudança representa um grande obstáculo para quadrilhas que utilizam redes de contas laranjas para dispersar rapidamente valores obtidos em golpes.
Bloqueio preventivo passa a ser ferramenta estratégica
Outra mudança importante é o chamado bloqueio cautelar. Agora, sempre que houver indícios de fraude ou movimentação considerada suspeita, os bancos podem reter preventivamente valores recebidos via Pix por até 72 horas.
Durante esse período, a instituição financeira investiga a operação para determinar se houve crime ou irregularidade. Essa retenção preventiva busca impedir que o dinheiro seja retirado, transferido ou sacado antes que a análise seja concluída.
Na prática, isso oferece uma resposta muito mais rápida contra fraudes em andamento.
Devolução de valores se torna mais eficiente
Uma das maiores preocupações das vítimas de golpes sempre foi a dificuldade para recuperar recursos perdidos. Com as novas regras, o processo de devolução ganha maior agilidade.
O Banco Central prevê que, após investigação e comprovação da fraude, o reembolso possa ser concluído em cerca de 11 dias. Embora o prazo possa variar conforme cada caso, a nova estrutura aumenta significativamente a possibilidade de recuperação dos valores.
Essa modernização melhora a proteção do consumidor e reduz prejuízos financeiros.
Contestação fica mais simples dentro dos aplicativos
Outra exigência para bancos e instituições é a implementação obrigatória de um botão de contestação diretamente nos aplicativos.
Isso significa que o cliente não precisa mais depender exclusivamente de atendimento telefônico ou processos burocráticos para denunciar uma fraude. A contestação pode ser feita de maneira mais rápida e automatizada, acelerando o acionamento do MED.
Essa facilidade reduz o tempo de resposta, fator essencial para aumentar as chances de bloqueio.
Erros do usuário continuam fora da cobertura
Apesar das melhorias, o Banco Central reforça que o MED não se aplica a erros cometidos pelo próprio pagador, como transferências feitas para destinatários incorretos por falha de digitação.
Nessas situações, o banco não é obrigado a recuperar automaticamente o valor, sendo necessário contato direto com o recebedor ou medidas judiciais. Por isso, continua sendo essencial verificar cuidadosamente dados antes de concluir qualquer transferência.
Com essas mudanças, o Banco Central reforça seu compromisso de manter o Pix como uma plataforma moderna, eficiente e segura.





