Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, integrado na coorte Geração XXI, acompanhou mais de 5 mil crianças entre os 4 e os 13 anos e analisou como o comportamento alimentar evolui ao longo da infância.
Os resultados indicam que sinais de risco podem surgir entre os 7 e os 13 anos, especialmente entre crianças com apetite desregulado.
Nesses casos, a alimentação em resposta às emoções está associada a maior probabilidade de alterações metabólicas, como pressão alta, resistência à insulina, aumento de gordura no sangue e maior circunferência abdominal.
Comer infantil por emoção
Crianças com apetite desregulado apresentam maior risco futuro de desenvolver obesidade e diabetes. Dois padrões extremos de comportamento alimentar:
- Apetite excessivo: ingestão de alimentos mesmo sem fome; menor controle sobre a alimentação; associação com piores indicadores de saúde
- Baixo apetite: melhor regulação da ingestão alimentar; padrões mais equilibrados; indicadores de saúde mais favoráveis
Crianças que comem por emoção tendem a ingerir mais alimentos calóricos, snacks e bebidas açucaradas. Esse padrão alimentar contribui para o aumento do peso e do índice de massa corporal ao longo do tempo.
Foram identificados seis perfis distintos de comportamento alimentar, sendo que o grupo com maior ingestão apresentou os piores indicadores cardiometabólicos.
Influência alimentar
Os resultados também evidenciam a forte influência de fatores sociais e familiares na formação desses padrões:
- Apetite elevado associado a
- vulnerabilidade socioeconômica
- insegurança alimentar
- mães mais jovens
- mães com sobrepeso
- Baixo apetite associado a
- melhores condições socioeconômicas
- maior acesso a alimentação equilibrada
- hábitos familiares mais saudáveis
Os pesquisadores ressaltam que a construção dos hábitos alimentares não depende exclusivamente das famílias.
Elementos como o ambiente escolar, políticas públicas e a publicidade de alimentos exercem influência direta nesses comportamentos, que seguem padrões identificáveis e podem elevar o risco de alterações metabólicas ao longo da vida.





