Em uma das maiores oscilações do mercado financeiro em 2025, Mark Zuckerberg viu seu patrimônio líquido despencar em cerca de US$ 29 bilhões (R$ 155,91 bilhões) em apenas um dia.
A queda dramática ocorreu após a Meta divulgar resultados trimestrais decepcionantes, especialmente afetados por uma cobrança tributária inesperada, que reduziu significativamente o lucro por ação da companhia.
Na quinta-feira, 30 de outubro, as ações da Meta recuaram 12,3%, atingindo cerca de US$ 658,50 (R$ 3.543,63), marcando a maior queda intradiária da empresa desde outubro de 2022, quando houve um recuo de 24,5%.
Esse movimento foi catalisado por um lucro por ação muito abaixo das expectativas de Wall Street: US$ 1,05 (R$ 5,65), frente aos US$ 6,72 (R$ 36,14) previstos pelos analistas.
Mesmo com uma receita de US$ 51,2 bilhões (R$ 275,45 bilhões), acima das estimativas de US$ 49,5 bilhões (R$ 266,31 bilhões), o efeito da cobrança tributária foi devastador.
O impacto da tributação no lucro
A baixa no lucro da Meta foi em grande parte causada por uma cobrança única de US$ 15,9 bilhões (R$ 85,84 bilhões) devido ao One Big Beautiful Bill Act, legislação aprovada durante o governo Trump.
Sem essa cobrança, o lucro por ação teria sido de US$ 7,25 (R$ 39,01), superando inclusive as expectativas de mercado. A empresa informou que espera uma redução significativa nos impostos federais nos Estados Unidos para o restante de 2025 e nos próximos anos.
Reposicionamento na lista dos bilionários
Com essa perda colossal, Zuckerberg caiu do terceiro para o quinto lugar entre as pessoas mais ricas do mundo. Atualmente, seu patrimônio líquido é estimado em US$ 228,4 bilhões (R$ 1,22 trilhão).
Ele agora está atrás de Jeff Bezos (US$ 238,3 bilhões / R$ 1,28 trilhão), Larry Page (US$ 236,3 bilhões / R$ 1,27 trilhão), Larry Ellison (US$ 314,7 bilhões / R$ 1,69 trilhão) e Elon Musk (US$ 490,8 bilhões / R$ 2,64 trilhões).
Investimentos em inteligência artificial
Apesar da queda, a Meta segue firme em sua estratégia de investimentos bilionários em tecnologia e inteligência artificial. Em 2025, a empresa aplicou US$ 14,3 bilhões (R$ 76,63 bilhões) na startup Scale AI e trouxe seu CEO, Alexandr Wang, para liderar a iniciativa interna de IA, o Superintelligence Labs.
Além disso, firmou contratos robustos de computação em nuvem, incluindo um acordo de seis anos com o Google avaliado em US$ 10 bilhões (R$ 53,8 bilhões).
Reality Labs
A divisão Reality Labs, responsável por óculos de realidade virtual e inteligentes em parceria com Ray-Ban e Oakley, registrou prejuízo operacional de US$ 4,4 bilhões (R$ 23,67 bilhões), mesmo após superar levemente a receita esperada, que foi de US$ 470 milhões (R$ 2,52 bilhões).
O alto investimento em inovação tecnológica ainda pesa nos resultados trimestrais, mas é visto como aposta estratégica para o futuro.
Comparação com outras gigantes de tecnologia
Outras empresas do grupo “Magnificent Seven” também apresentaram movimentações relevantes:
- Microsoft: Caiu 2,2% mesmo com lucro por ação de US$ 4,13 (R$ 22,21) e receita de US$ 77,6 bilhões (R$ 417,49 bilhões), acima das expectativas. A queda se deve principalmente ao investimento de US$ 3,1 bilhões na OpenAI.
- Alphabet: Subiu 2,7%, atingindo receita recorde de US$ 102,3 bilhões (R$ 550,37 bilhões).
- Apple e Amazon: Divulgarão resultados após o fechamento do mercado.
- Nvidia: Previsão de resultados trimestrais para 19 de novembro.
Preparação para a era da superinteligência
Mark Zuckerberg reafirmou que a Meta está se preparando de forma “agressiva” para a chegada da superinteligência, um movimento que, segundo ele, posicionará a companhia de forma ideal para uma mudança de paradigma geracional e grandes oportunidades em múltiplos setores.
Apesar do revés, a estratégia de longo prazo da empresa continua centrada na tecnologia e na inovação, com foco em inteligência artificial e realidade aumentada.






