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Colômbia exige fim de ataques dos EUA a barcos na zona marítima

Por Leticia Florenço
23/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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A relação entre Colômbia e Estados Unidos atingiu o ponto mais tenso em décadas. Desde setembro de 2025, o governo americano passou a realizar ataques militares a barcos suspeitos de transportar drogas no Caribe e, mais recentemente, no Pacífico.

As ações já deixaram dezenas de mortos, entre eles civis, e geraram acusações do presidente colombiano Gustavo Petro de que se tratam de “execuções extrajudiciais”. A situação marca uma ruptura dramática em uma parceria que durava décadas, especialmente no combate ao narcotráfico.

Petro afirmou que os ataques americanos violam o direito internacional e que o uso da força tem sido desproporcional. Ele defendeu que suspeitos de tráfico deveriam ser levados à Justiça, submetidos a julgamento e não mortos em operações militares.

O presidente destacou casos em que civis, inclusive pescadores colombianos, foram vítimas das ações, ressaltando a gravidade humanitária da ofensiva.

Justificativa americana e divulgação de operações

O governo dos EUA tem apresentado os ataques como ações direcionadas a “narco‑terroristas” e divulgou vídeos mostrando embarcações sendo destruídas segundos após o impacto das operações.

Washington argumenta que as ações visam impedir o tráfico de drogas, mas não há consenso jurídico sobre a legalidade desses ataques, sobretudo em águas internacionais ou em casos envolvendo civis.

Histórico de cooperação bilateral

A Colômbia e os Estados Unidos mantêm décadas de parceria antidrogas, incluindo o histórico Plano Colômbia, programas de treinamento militar, ajuda financeira e erradicação de plantações de coca.

Essa cooperação consolidou Bogotá como um dos principais aliados de Washington na América Latina. A ofensiva atual, porém, realizada sem coordenação e em locais que afetam diretamente cidadãos colombianos, coloca em risco essa aliança tradicional.

Repercussão internacional

O episódio provocou reação de outros países da região. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou publicamente que não concorda com os ataques e pediu o respeito às normas do direito internacional.

Organizações de direitos humanos e especialistas jurídicos também questionam a legalidade das operações, destacando que ataques letais em alto mar devem observar critérios rigorosos, incluindo perigo iminente e garantias processuais.

Conflito diplomático e trocas de acusações

A crise escalou para o nível pessoal entre líderes. Trump chegou a chamar Petro de narcotraficante, enquanto o colombiano rebateu afirmando que o americano caluniou e insultou a Colômbia.

A tensão levou Bogotá a convocar seu embaixador em Washington, Daniel García-Peña, para consultas, reforçando a gravidade do impasse diplomático e da necessidade de mecanismos formais de diálogo.

Consequências e riscos

A continuação dos ataques americanos pode alterar rotas de tráfico, levando a novas estratégias dos grupos criminosos, como uso de submersíveis ou novas embarcações. Além disso, o conflito diplomático ameaça acordos de cooperação militar, judicial e de inteligência entre os países.

Há também risco de crescimento da tensão regional caso outros governos percebam violação de soberania ou uso desproporcional da força.

Possíveis caminhos para resolução

Bogotá mantém apelos ao diálogo por canais diplomáticos formais, ao mesmo tempo em que exige respeito às normas internacionais.

Os EUA afirmam que as ações são legais e necessárias no combate ao narcotráfico, mas podem enfrentar pressões internacionais e regionais para esclarecer e justificar publicamente cada operação.

O equilíbrio entre eficácia operacional e respeito aos direitos humanos será decisivo para o futuro da cooperação bilateral.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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