Novembro tem se tornado, ao longo dos anos, um mês de mudanças na trajetória de Galvão Bueno.
Mesmo sendo reconhecido por sua energia, presença marcante e papel central nas maiores transmissões esportivas do país, esse período tem adquirido uma aura curiosa, justamente quando o calendário reserva finais decisivas, algo acontece e tira o narrador de cena.
Esse fenômeno, repetido em momentos marcantes, começa a parecer uma coincidência rara, quase mística, que acompanha a história do maior locutor esportivo do Brasil.
O caso mais recente
A internação por COVID-19, que durou uma semana, foi o motivo mais recente que impediu Galvão de participar de um evento raro, a abertura de uma Copa do Mundo.
Pela primeira vez em 36 anos, o narrador não estaria presente no jogo inaugural, algo impensável para quem se tornou a voz oficial desse momento desde 1986.
Mesmo recuperado e liberado pelos médicos, o tempo perdido e as restrições impostas pela doença criaram um efeito dominó no calendário. Assim, Luis Roberto assumiu seu posto, justamente quando Galvão se preparava para sua despedida em grande estilo do comando fixo da emissora.
A Copa do Catar e o adeus adiado
Galvão havia planejado uma despedida simbólica na edição especial do Bem, Amigos!, mas o teste positivo a apenas dez dias do início do Mundial cancelou tudo. O que seria um encerramento triunfal transformou-se em um hiato forçado, mais uma vez, em novembro.
Mas, mesmo com o susto, deixou um recado firme aos fãs: a COVID voltou forte e exigiu cuidado redobrado. Ainda assim, reafirmou o desejo de ir ao Catar, mesmo que com alguns dias de atraso.
O curioso é que essa ausência não é um episódio isolado. Em 2019, também em novembro, Galvão perdeu outra final histórica: Flamengo x River Plate, pela Libertadores.
A caminho da partida, sentiu um mal-estar em Lima e foi levado às pressas ao hospital Anglo-Americano. Os exames revelaram uma artéria coronariana obstruída, e ele precisou passar por um cateterismo.
A narração da decisão recaiu de última hora sobre Luis Roberto, exatamente como na Copa do Catar anos depois.
Flamengo
A circunstância emocional desses episódios é o fato de envolverem diretamente o Flamengo, seu time do coração. Tanto em 1981 quanto em 2019 e 2022, Galvão esteve conectado às grandes histórias rubro-negras, mas nem sempre conseguiu estar presente ao vivo.
Em 1981, quem narrou o título da Libertadores foi Luciano do Valle. Em 2019, Galvão seria a voz da Globo em mais uma final flamenguista, mas novamente a saúde o impediu.
Já em 2022, ficou de fora da abertura da Copa, evento que, indiretamente, também envolve o Flamengo, já que o clube vivia seu auge continental.
Um histórico de saúde sempre estável
Ao longo das décadas, o narrador raramente faltou por motivos médicos. Seu histórico é de resiliência:
- Um único episódio marcante ocorreu quando quebrou o braço ao cair do cavalo, nos anos 1980.
- Fora isso, apenas internações pontuais, como a pneumonia viral mais recente, o afastaram de programas, e ainda assim por curtos períodos.
Mas, ironicamente, as raras vezes em que sua saúde exigiu pausa coincidiram justamente com decisões de enorme peso no calendário esportivo, e sempre em novembro.
Pneumonia
Antes mesmo de se recuperar totalmente da pneumonia viral diagnosticada no Hospital Sírio-Libanês, Galvão já havia perdido a transmissão de Flamengo x Sport, pela Amazon Prime Video.
Mais uma vez, novembro o obrigou a frear a agenda intensa, e mais uma vez, um jogo do Flamengo estava envolvido.
O fato de suas faltas virarem manchetes nacionais mostra o tamanho de sua presença. Galvão é, há mais de quatro décadas, um patrimônio afetivo do esporte brasileiro. Quando não aparece, não é apenas uma troca de narrador, é a sensação de que algo extraordinário aconteceu.
E quando essas ausências começam a seguir um padrão temporal, sempre no mesmo mês, em eventos decisivos, o peso emocional para o público se torna ainda maior.
14ª Copa do Mundo
Mesmo com tropeços de saúde, Galvão não encerrou sua relação com o esporte. Em 2026, ele retornará como narrador da Copa do Mundo no SBT e na N Sports, cumprindo seu 14º Mundial consecutivo, uma marca impressionante e difícil de ser igualada.
O acordo multiplataforma garante 32 jogos, e mostra que, apesar de novembro às vezes lhe trazer obstáculos, sua presença continua indispensável na maior competição de futebol do planeta.





