Mesmo com o sucesso recente dentro de campo com a seleção argentina, a Associação de Futebol Argentina (AFA) está vivendo um momento de crise. Presidentes de clubes argentinos estão organizando uma greve no dia 05 de março como forma de protesto com tudo o que está acontecendo no país vizinho.
A Agência de Recaudação e Controle Aduaneiro (ARCA), órgão do governo argentino que tem por objetivo controlar a arrecadação de impostos no país, denunciou o presidente da AFA, Claudio Tapia, e outros gestores da associação de evasão fiscal e apropriação indevida de 19 bilhões de pesos argentinos (cerca de R$ 72 milhões na cotação atual). O mandatário foi convocado pelo órgão para dar depoimentos e esclarecer os fatos sobre esse desvio indevido na instituição.
Em nota oficial, a AFA explica que “não possui débitos pendentes relativos às obrigações tributárias que serviram de base para a denúncia apresentada pela ARCA,” e afirma que “o pagamento voluntário de obrigações fiscais foi realizado antes do vencimento, sendo essa a base do argumento já apresentado na justiça argentina.”
Na nota, a AFA destaca ainda que o órgão federal “pretende considerar que essas obrigações, ainda não vencidas e que sequer consegue cobrar, constituem a base para a possível prática de um crime tributário, sugerindo uma flagrante contradição com as normas jurídicas vigentes.”
Em resposta as investigações da ARCA, o conselho de presidentes de clubes de futebol da primeira divisão da argenina escolheram quase por unanimidade parar o campeonato nacional no dia 05 de março, quando seria disputada a nona rodada do Campeonato Argentino. Os outros campeonatos organizados pela AFA também devem aderir a greve, que se estenderá até o dia 08 de março.
Argentina tem histórico de greves no futebol
Paralisar o campeonato nacional não é nenhuma novidade para os argentinos. Historicamente, a AFA já teve que suspender rodadas de torneios em virtude das solicitações dos clubes por melhorias no futebol do país.
A mais recente aconteceu em 2017. Em razão dos salarios atrasados, o sindicato dos jogadores profissionais da Argentina propôs a greve geral enquanto a AFA não resolvesse as pendências salariais de jogadores da elite do futebol argentino.
Em 2001, em meio a crise que assolou a Argentina na virada do século, os sindicatos organizaram greves sob o pretexto de dívidas milionárias dos clubes com funcionários e jogadores. O futebol no país parou por duas vezes enquanto a AFA não cumpria os acordos e os clubes não pagavam as dívidas com seus empregados.
Manifestações na década de 1970, 1940 e 1930 também pararam o futebol argentino por algum tempo. Em todas elas, a principal reivindicação dos grevistas era o pagamento de dívida e a solicitação de garantias para os jogadores terem direitos respeitados.
O cenário atual difere completamente das outras greves. Enquanto que as greves históricas colocavam os sindicatos e clubes contra a AFA, agora as agremiações estão favoráveis à associação contra o Governo Federal.






