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Clientes de streamings piratas vão receber reembolso após ação da Anatel?

Por Leticia Florenço
06/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Streaming - Reprodução/iStock

Streaming - Reprodução/iStock

A recente derrubada de serviços de streaming pirata, como Eppi TV e My Family Cinema, trouxe à tona uma situação inusitada, milhares de consumidores que pagaram por planos agora reclamam de prejuízos e buscam reembolso.

A operação realizada na Argentina expôs a vulnerabilidade do mercado ilegal e colocou usuários em alerta sobre os riscos de confiar em serviços não homologados.

A onda de reclamações no Reclame Aqui

Desde o dia 3 de novembro, o Eppi TV recebeu mais de 1.400 queixas na plataforma Reclame Aqui. Usuários relatam impossibilidade de acessar os aplicativos após pagamento de planos trimestrais, semestrais ou anuais.

Um consumidor de São Paulo relata: “Realizei o pagamento do pacote trimestral e do nada, sem aviso prévio, não consigo acessar mais o app. Quero o reembolso”.

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O My Family Cinema, Duna TV e Boto TV também aparecem nas queixas, revelando um padrão: as plataformas mudam de nome para burlar a legislação e continuar operando ilegalmente.

Serviços piratas

Embora funcionem via assinatura, esses serviços não respeitam a Lei Geral de Telecomunicações e operam fora da regulamentação da Anatel. Além disso, por serem ilegais, não oferecem suporte formal ou canais confiáveis de cancelamento, dificultando o acesso a reembolso ou ressarcimento.

O advogado Guilherme Carboni alerta que usuários devem pesquisar a reputação de qualquer serviço digital antes de assinar, especialmente aqueles que não possuem registro oficial no Brasil.

“Existem muitas empresas pipocando e que trabalham na ilegalidade. Antes de firmar contratos, busque saber mais sobre a empresa e sua reputação”, recomenda.

Reembolso de serviços ilegais

Apesar do desejo de muitos consumidores de recuperar o dinheiro, obter reembolso de serviços piratas é complexo. Como os fornecedores não possuem endereço formal, telefone ou suporte ativo, muitas vezes a única alternativa é recorrer a órgãos de defesa do consumidor, como Procon, ou registrar ocorrência na polícia.

Carboni explica que, mesmo sem saber que o serviço é ilegal, o consumidor se expõe a prejuízos financeiros. “Muitas vezes, as pessoas preferem pagar menos, mas correr certo risco”, diz o especialista.

O Procon-SP recomenda extrema cautela ao contratar serviços digitais sem procedência. O órgão alerta para riscos à segurança financeira e de dados pessoais, além da impossibilidade de formalizar reclamações em caso de problemas.

“O Procon-SP orienta os consumidores a não adquirirem produtos ou contratar serviços que não tenham garantia, de procedência duvidosa ou, ainda, não reconhecidos pelos órgãos reguladores, caso dos aplicativos de streaming”, afirma o comunicado.

A postura da Anatel

A Anatel segue atuando no combate a serviços piratas, incluindo aplicativos ilegais e TV Boxes não homologadas. O órgão reforça que apenas aparelhos certificados oferecem segurança e cumprem a legislação brasileira.

“O aplicativo My Family Cinema é frequentemente encontrado embarcado nas TV Boxes piratas. Para garantir a segurança do consumidor e evitar atividades ilícitas, a Anatel certifica e homologa os aparelhos do tipo TV Box”, declarou a agência.

Vale a pena correr o risco?

Assinar serviços piratas é um ato de risco, não há garantias de funcionamento, suporte ou reembolso. Comparado a comprar DVDs piratas com camelôs nos anos 2000, o consumidor está sempre sujeito a prejuízos.

A pirataria é resistente, cada plataforma derrubada pode ser substituída por outra.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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