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Civilização perdida há mais de 40 mil anos pode ter sido encontrada

Por Leticia Florenço
14/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Foto: Reprodução/Matthew LaCroix

Foto: Reprodução/Matthew LaCroix

Um estudo recente divulgado por um pesquisador independente reacendeu debates sobre a possibilidade de que uma civilização altamente avançada tenha existido muito antes das primeiras sociedades complexas conhecidas pela arqueologia.

Matthew LaCroix, como é identificado em redes sociais e reportagens, afirma ter encontrado vestígios de um povo antigo capaz de registrar conhecimento sofisticado sobre o cosmos e a natureza.

Descobertas e padrões geométricos

Segundo LaCroix, monumentos e gravuras espalhados pelo mundo, incluindo regiões da Turquia, Egito, América do Sul e Sudeste Asiático, exibem símbolos geométricos recorrentes, como formas em “T”, pirâmides escalonadas e outras figuras repetidas.

Para o pesquisador, esses padrões não seriam fruto de coincidência, mas indícios de um sistema simbólico global compartilhado por uma civilização ancestral que teria existido entre 38 mil e 40 mil anos atrás.

Ele classifica essas representações como um “cosmogram”, ou modelo geométrico, supostamente utilizado para codificar informações sobre ciclos astronômicos, fenômenos geológicos e cataclismos naturais, criando uma espécie de “código universal” deixado para as gerações futuras.

Teorias difusionistas versus arqueologia convencional

A proposta de LaCroix se insere na linha das teorias difusionistas, que sugerem a disseminação global de culturas antigas e de seus conhecimentos. No entanto, a arqueologia acadêmica não endossa essa visão.

Pesquisas rigorosas indicam que sociedades complexas, com agricultura organizada, arquitetura monumental e escrita, surgiram gradualmente nos últimos 10 mil anos, muito depois da época apontada pelo pesquisador.

A explicação científica mais aceita para símbolos geométricos similares em diferentes regiões é a convergência cultural, ou seja, a tendência de diferentes povos desenvolverem de forma independente padrões visuais e rituais semelhantes.

Elementos como círculos, pirâmides e linhas podem surgir em contextos distintos simplesmente porque todos os humanos observam os mesmos fenômenos naturais, como o Sol, a Lua e as estações do ano.

Contestação das evidências

Diversos sítios citados por LaCroix, incluindo estruturas na Turquia e no Egito, possuem datações confiáveis que os associam a civilizações posteriores, como a urartiana ou a dinastia egípcia histórica, e não a sociedades de 40 mil anos atrás.

Isso reforça a posição de que interpretar coincidências estilísticas como prova de uma civilização global perdida não encontra respaldo científico.

Pseudoarqueologia e especulações populares

A narrativa proposta por LaCroix lembra tradições de pseudoarqueologia, em que símbolos antigos são associados a poderes sobrenaturais, previsões de desastres naturais ou influência de civilizações misteriosas.

Teorias semelhantes já foram apresentadas por autores como Erich von Däniken, que popularizou a ideia de contato com extraterrestres em sociedades pré-históricas. Especialistas alertam que tais interpretações carecem de evidências robustas e verificáveis.

A história humana conhecida

Apesar de controversa, a discussão ressalta que a história humana é muito antiga. Fosséis de Homo sapiens com mais de 40 mil anos já foram encontrados na Europa e na Ásia.

Naquele período, grupos humanos eram caçadores-coletores que criavam ferramentas e artefatos complexos, mas não há consenso sobre a existência de civilizações altamente estruturadas, como a sugerida por LaCroix.

A investigação rigorosa e baseada em evidências continua sendo a principal ferramenta para separar descobertas legítimas de especulações históricas.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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