Em novembro, a Max Minas, em Belo Horizonte, reuniu grandes produtores brasileiros para discutir livros com potencial de adaptação para cinema e TV. O encontro abordou critérios e estratégias para transformar obras literárias em filmes ou séries, contemplando públicos variados, de crianças e adolescentes a adultos.
No segmento infantojuvenil, a existência de uma base de fãs consolidada se mostrou essencial para viabilizar os projetos. Obras já inseridas em franquias de sucesso, com múltiplos filmes, são consideradas mais seguras pelo engajamento prévio do público. Além disso, há atenção à escolha de títulos que dialoguem com nichos específicos, como o público jovem LGBTQIAPN+, assegurando diversidade e relevância contemporânea nas histórias.
Adaptações literárias
Para produções voltadas ao público adulto, o foco está na força e originalidade da narrativa. Os produtores avaliam se a obra se encaixa melhor em lançamentos comerciais ou em circuitos de festivais, considerando gênero e perfil da audiência.
As adaptações literárias seguem como estratégia importante, aproveitando universos já consolidados por autores experientes e reduzindo o tempo de desenvolvimento em relação a projetos originais. A maturidade da obra e a construção prévia de personagens oferecem segurança e eficiência na produção.
As escolhas literárias são um processo orgânico e complexo: os produtores acompanham lançamentos, mantêm contato com editoras e agentes literários, e consideram interesses de diretores e tendências de mercado. O sucesso imediato de vendas não é determinante; obras que conquistam público gradualmente ou possuem alto potencial criativo são frequentemente priorizadas.
A negociação dos direitos depende de proximidade entre produtor, autor e editora, sendo essencial confiança e alinhamento artístico. Esse vínculo garante consistência na adaptação e aumenta as chances de repercussão positiva junto ao público e à crítica.
Desafios do cinema e streaming
O evento também destacou desafios estruturais do audiovisual, especialmente a situação precária dos roteiristas no Brasil. A remuneração limitada dificulta a dedicação exclusiva, afetando a qualidade dos roteiros e levando produtores a buscar talentos internacionais para garantir prazos e consistência.
Outro ponto crítico é a ausência de editais de desenvolvimento, restringindo investimentos em projetos de longo prazo. A questão evidencia a necessidade de políticas públicas que fortaleçam a cadeia produtiva, promovam melhores condições de trabalho e apoiem a criação de roteiros, assegurando a sustentabilidade do setor.






