Em um movimento que vem transformando o cenário do crédito digital no Brasil, diversas startups financeiras estão se reposicionando como financeiras, ou SCFIs (Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimento), conforme a nomenclatura oficial.
Essa mudança ganhou força após o Banco Central publicar, no fim de julho de 2025, uma nova regra que facilita e estimula a migração de fintechs e Instituições de Pagamento (IPs) para modelos mais estruturados.
O objetivo? Ampliar o acesso a funding, baratear o custo do crédito e criar mais competitividade no mercado.
Nova regra do BC transforma o jogo para fintechs de crédito
Até então, as fintechs operavam principalmente como Sociedades de Crédito Direto (SCDs), modelo com algumas limitações, principalmente em relação à captação de recursos.
Com a nova regra, que entra em vigor em setembro, o BC abre caminho para que essas empresas acessem instrumentos financeiros típicos dos bancos, como RDBs (Recibos de Depósitos Bancários), CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e LCs (Letras de Câmbio).
Por que virar uma financeira?
A decisão de se tornar uma financeira não é apenas regulatória, é estratégica. As startups que fazem essa transição conseguem:
- Diversificar suas fontes de captação
- Reduzir o custo do dinheiro
- Aumentar o volume de crédito ofertado
- Ampliar os prazos de pagamento
- Concorrer em pé de igualdade com bancos digitais tradicionais
Como as fintechs estão fazendo essa mudança
Há três caminhos principais para a transformação:
- Migrar de uma SCD para uma SCFI: O modelo mais comum entre as fintechs em crescimento.
- Comprar uma financeira existente: Estratégia que acelera o processo e evita a espera de meses para obter licença nova.
- Solicitar uma nova licença junto ao Banco Central: Ideal para quem quer começar a operação do zero com estrutura própria.
Cinco fintechs que já conseguiram o “selo” de financeira
- Stone: Recebeu a autorização do Banco Central em janeiro de 2024. Já atuava como Instituição de Pagamento (IP) e como SCD. Agora, com o status de financeira, reforça sua atuação no setor de crédito com captação direta por meio de CDBs e RDBs.
- Cora: Com foco em PMEs (Pequenas e Médias Empresas), a Cora migrou de SCD para SCFI em julho de 2024. Fundada em 2019, a fintech já contava com mais de 1,7 milhão de clientes e agora amplia seu leque de serviços financeiros.
- RecargaPay: Fundada em Buenos Aires, a fintech começou com recargas de celular e se transformou em um superapp. Em outubro de 2024, obteve a licença de financeira e passou a emitir seus próprios CDBs, dando mais robustez à sua operação de crédito.
- MagaluPay: O braço financeiro do Magazine Luiza recebeu o aval do BC em fevereiro de 2025. Além da IP já existente, também opera com a financeira LuizaCred, em parceria com o Itaú. A nova licença fortalece o ecossistema financeiro da marca no varejo.
- CloudWalk: Dona da InfinitePay e da Jim.com, a CloudWalk comprou o controle da SF3 (antiga Santana Financeira) em junho de 2025, criando a CloudWalk Financeira. Também captou, no mesmo mês, o maior FIDC da sua história, no valor de R$ 3,14 bilhões.
Mais competição, mais crédito, mais inovação
Com a migração para financeiras, as fintechs ganham mais liberdade para oferecer crédito e criar soluções mais competitivas. O consumidor, por sua vez, passa a ter acesso a produtos mais acessíveis, com menos burocracia e custos menores.
Com mais de 70 SCFIs autorizadas em operação, o Brasil dá sinais de que o modelo de crédito está em plena transformação. Uma nova era, agora com regras claras, tecnologia e maior acesso ao crédito para todos.






