Biobancos são unidades dedicadas à coleta, processamento, conservação e disponibilização de materiais biológicos humanos, como sangue, tecidos, células e DNA, sempre vinculados a dados clínicos e genéticos dos pacientes.
Essas estruturas funcionam como uma base estratégica para a pesquisa biomédica, ao possibilitar a integração entre amostras biológicas, histórico de saúde e evolução das doenças, contribuindo para uma compreensão mais aprofundada de diversas patologias, com destaque para o câncer.
Biobancos para novos tratamentos
O entendimento sobre tumores evoluiu de classificações gerais para análises genéticas detalhadas.
Com a biologia molecular, passou a ser possível identificar alterações específicas em cada câncer, explicando diferenças na resposta aos tratamentos e impulsionando a medicina de precisão.
Coleta e armazenamento
- Amostras são coletadas por biópsias ou cirurgias
- São armazenadas em temperaturas entre -80 °C e -180 °C para preservação do material genético
- Cada amostra é acompanhada por dados clínicos detalhados, como estágio da doença e tratamentos realizados
Avanços genéticos
- O sequenciamento genético permite identificar dezenas de subtipos moleculares em alguns tipos de câncer
- Isso amplia a personalização dos tratamentos
- Técnicas como a biópsia líquida surgiram a partir do uso de grandes biobancos
Evolução do tumor
- O câncer pode sofrer mutações ao longo do tempo, especialmente após tratamentos
- Isso pode gerar resistência a medicamentos
- A comparação entre amostras iniciais e metastáticas ajuda a entender essa evolução
‘Coleções de câncer’ pelo mundo
No Brasil, o biobanco do A.C. Camargo Cancer Center, criado em 1997, foi o primeiro da América Latina e reúne mais de 190 mil amostras biológicas, como tecidos tumorais e sangue. Outras instituições, como o Hospital de Amor, também mantêm acervos relevantes.
No Brasil, a diversidade genética da população também é vista como um diferencial importante para os estudos.
Os Estados Unidos possuem cerca de 169 biobancos, a Europa cerca de 90 e a Ásia cerca de 23. A integração entre biobancos é considerada essencial, especialmente para doenças raras.
Apesar dos avanços, persistem desafios como altos custos, falta de padronização e integração limitada. A tendência global é a criação de redes conectadas de biobancos, associadas a tecnologias digitais e inteligência artificial.





