Uma nova revisão teórica desenvolvida por pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém emerge em meio a avanços experimentais que vêm evidenciando fragilidades nos modelos tradicionais de interação entre luz e magnetismo.
Publicado em novembro de 2025, o estudo revisita as bases históricas do efeito Faraday — descrito por Michael Faraday em 1845 — e indica que o entendimento consolidado ao longo de quase duzentos anos necessita de atualização à luz das evidências recentes.
História da luz
O ponto de inflexão da pesquisa ocorreu após um experimento realizado em 2024, quando foi observada uma resposta inesperada: em vez de ser apenas afetada pelo material, a luz pareceu modificar seu magnetismo, contrariando o modelo convencional.
Diante desse resultado, a equipe passou a empregar cálculos fundamentados na equação de Landau-Lifshitz-Gilbert e aplicou o framework teórico a cristais de térbio-gálio, amplamente utilizados em sistemas ópticos e de telecomunicações.
A combinação entre modelagem e experimentação mostrou, de forma consistente, que o campo magnético associado à própria luz desempenha um papel ativo na dinâmica observada. A participação antes considerada irrelevante revelou-se expressiva: em determinadas condições, essa contribuição chega a cerca de 17% do efeito em faixas visíveis e pode atingir até 70% no infravermelho. Assim, a luz deixa de ser entendida como mero agente passivo e passa a ser reconhecida como um componente que interfere diretamente na rotação da polarização ao atravessar materiais submetidos a campos magnéticos.
Efeito Faraday revisto
Ao reavaliar o efeito Faraday, o estudo contesta a explicação clássica que atribuía a rotação da polarização apenas ao campo magnético externo aplicado ao material. As novas evidências mostram que, embora esse modelo tenha orientado a física desde o século 19, ele não descreve plenamente o fenômeno, tornando necessária a inclusão da contribuição do campo magnético inerente à própria luz.
Além de atualizar a base conceitual, essa revisão abre perspectivas tecnológicas relevantes, especialmente em áreas que dependem de manipulação precisa da luz, como tecnologias quânticas, sensoriamento, memórias ópticas e sistemas de comunicação. O trabalho reforça a importância de revisitar teorias consolidadas e demonstra como avanços experimentais continuam a revelar dimensões antes ignoradas de fenômenos considerados bem estabelecidos.





