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Cientistas revelam qual é a emoção que dá sentido à vida

Por Leticia Florenço
31/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Sentido da vida - Reproduçõ/Unsplash

Sentido da vida - Reproduçõ/Unsplash

Desde as primeiras civilizações até os laboratórios contemporâneos, o ser humano sempre buscou compreender o sentido da vida.

Filósofos antigos, líderes espirituais, escritores e, mais recentemente, cientistas vêm tentando responder a essa pergunta fundamental. Essa busca não é apenas metafísica ou poética, ela impacta diretamente nossa saúde mental, bem-estar e capacidade de viver com propósito.

O que é “sentido da vida”?

Na psicologia contemporânea, o sentido da vida é uma construção subjetiva baseada em três pilares principais:

  • Propósito: A ideia de que a vida tem uma direção ou meta.
  • Coerência: A percepção de que os acontecimentos da vida fazem sentido ou seguem uma lógica compreensível.
  • Significância existencial: O sentimento de que a vida importa e vale a pena ser vivida.

Esses três elementos não são necessariamente conscientes. Muitas vezes, operam em segundo plano, moldando nossas decisões, resiliência e visão do futuro.

O estudo que mudou a esperança

Um novo estudo publicado na revista científica Emotion desafia interpretações antigas e coloca a esperança como a emoção central que dá sentido à vida. Liderado pelas psicólogas Megan Edwards e Laura King, da Universidade do Missouri (EUA), o trabalho envolveu mais de 2.300 participantes em seis experimentos distintos.

Os resultados foram surpreendentes, nenhuma outra emoção positiva, nem a alegria, nem o entusiasmo, nem mesmo o amor, se mostrou tão influente na percepção de que a vida tem significado quanto a esperança.

Por que a esperança é tão poderosa?

A esperança, segundo os pesquisadores, não é apenas um desejo passivo de que algo dê certo. Ela é uma emoção ativa, complexa e profundamente ligada à forma como percebemos o futuro.

A esperança combina:

  • Expectativa positiva (acreditar que o futuro pode melhorar)
  • Ação prática (engajamento para tornar isso possível)
  • Resiliência emocional (capacidade de continuar mesmo em tempos difíceis)

Ou seja, ela se baseia na incerteza, mas responde a ela com otimismo racional. Essa abordagem científica contrasta com antigas visões filosóficas, como a de Espinosa, que tratavam a esperança como uma paixão fraca ou ilusória.

Efeitos de uma vida com significado

A ciência mostra que perceber sentido na vida não é só uma questão emocional, tem efeitos reais e mensuráveis. Pessoas que sentem que suas vidas têm propósito:

  • Desenvolvem relações interpessoais mais profundas;
  • Possuem melhor saúde física e imunológica;
  • Apresentam níveis mais altos de bem-estar subjetivo;
  • Ganham mais, são mais produtivas e vivem por mais tempo.

A esperança, nesse contexto, é o combustível emocional que impulsiona todas essas conquistas, e que, curiosamente, pode ser cultivado mesmo em meio a dificuldades.

Como cultivar a esperança no cotidiano?

Ao contrário do que afirmam discursos motivacionais simplistas, a esperança não exige grandes viradas de vida. Ela pode emergir de pequenas experiências, como:

  • Receber um sorriso inesperado;
  • Ver o sol nascer em um dia difícil;
  • Ajudar um vizinho ou cuidar de um animal;
  • Sentir progresso em um projeto, mesmo que pequeno.

Essas pequenas doses de esperança fortalecem a percepção de controle, mesmo quando os problemas parecem maiores que nós. Ao notar e valorizar esses momentos, reforçamos a ideia de que o futuro importa, e, portanto, merece nossa atenção e cuidado.

Cuidar como ato de esperança

Outro insight do estudo é a relação entre cuidar e esperançar. Ações simples como plantar uma flor, alimentar um gato ou orientar uma criança sinalizam ao nosso cérebro que o amanhã tem valor, afinal, aquilo que cuidamos hoje florescerá amanhã.

Esse tipo de atitude gera um ciclo emocional positivo, cuidamos porque acreditamos que algo bom pode vir, e quanto mais cuidamos, mais reforçamos essa crença.

Apesar de seu impacto, os cientistas deixam claro que a esperança não resolve tudo sozinha. Ela não é uma cura garantida, nem um substituto para políticas públicas, apoio social ou tratamento psicológico quando necessário.

No entanto, é uma ferramenta poderosa, e disponível, para enfrentar os altos e baixos da existência.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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