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Cientistas estão impressionados com fungo zumbi descoberto no Brasil

Por Leticia Florenço
24/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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fungo

A biodiversidade brasileira voltou a surpreender pesquisadores do mundo inteiro com a identificação de um novo “fungo zumbi” em uma reserva florestal de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro.

O organismo, batizado de Purpureocillium atlanticum, rapidamente entrou para a lista das descobertas mais relevantes de 2025 elaborada pelo tradicional Kew Gardens, reforçando a importância científica da Mata Atlântica.

O que torna o Purpureocillium atlanticum tão especial

O novo fungo recebeu esse nome por dois motivos claros: sua coloração arroxeada característica e o bioma onde foi encontrado. Mas o que realmente impressiona os cientistas é sua estratégia de sobrevivência altamente especializada.

Diferentemente de muitos fungos comuns, ele evoluiu para infectar especificamente aranhas de alçapão, artrópodes conhecidos por construir armadilhas camufladas no solo da floresta.

Após a infecção, o fungo invade o organismo da aranha, multiplica-se internamente e, depois da morte do hospedeiro, produz uma estrutura chamada estroma, que emerge do solo para liberar esporos. Esse mecanismo garante a continuidade do ciclo de vida do microrganismo de forma extremamente eficiente.

Como ocorreu a descoberta na Mata Atlântica

A identificação do fungo aconteceu durante uma expedição científica na reserva Alto da Figueira, em Nova Friburgo. O trabalho foi liderado pelo micologista brasileiro João Paulo Machado de Araújo, professor da Universidade de Copenhague.

Segundo o pesquisador, tudo começou quando a equipe observou a pequena “ponta” do fungo emergindo do chão da floresta. Ao escavar cuidadosamente o local, os cientistas encontraram a aranha já morta, completamente colonizada pelo microrganismo.

O estudo detalhado só foi possível graças ao uso do sequenciador portátil Oxford Nanopore Technologies, que permite analisar o material genético ainda em campo. Essa tecnologia aumentou a precisão da identificação e ajudou a diferenciar a nova espécie de outras já conhecidas.

Um parente dos famosos fungos que inspiraram a ficção

O termo “fungo zumbi” ganhou fama mundial principalmente após a popularização da franquia The Last of Us. Na ficção, um fungo semelhante ao gênero Ophiocordyceps transforma humanos em criaturas controladas pelo parasita.

Na vida real, espécies de Cordyceps e Ophiocordyceps realmente conseguem manipular o comportamento de insetos, especialmente formigas, levando-as a locais estratégicos para dispersão de esporos.

O novo Purpureocillium atlanticum pertence a um grupo evolutivamente próximo “primos”, como descrevem os pesquisadores, mas apresenta diferenças importantes.

Até o momento, não há evidências de que ele controle o comportamento da aranha hospedeira nem de que represente qualquer risco para humanos.

Por que não há motivo para pânico

Apesar do apelido chamativo, especialistas são claros: o fungo brasileiro é altamente especializado e adaptado a um hospedeiro muito específico. Ele evoluiu ao longo de milhões de anos para infectar aranhas de alçapão, e não existem indícios de que possa saltar para humanos ou outros animais.

Esse tipo de especificidade é comum entre fungos parasitas. Na maioria dos casos, mudanças de hospedeiro exigiriam transformações evolutivas profundas, algo extremamente improvável em curto prazo.

Misterioso mundo dos fungos

A descoberta também reforça um ponto importante para a ciência: ainda sabemos muito pouco sobre o reino Fungi. Estimativas citadas pelos pesquisadores indicam que podem existir cerca de 2,5 milhões de espécies de fungos no planeta, mas apenas cerca de 10% foram formalmente descritas.

Isso significa que florestas como a Mata Atlântica ainda guardam um enorme potencial de descobertas, algumas com possíveis aplicações médicas, agrícolas e industriais.

Possíveis benefícios escondidos nesse microrganismo

Embora pareça apenas curioso ou assustador, o Purpureocillium atlanticum pode ter utilidade prática no futuro. Fungos parasitas frequentemente produzem compostos químicos potentes para competir com bactérias e outros microrganismos.

Essas substâncias podem inspirar:

  • Novos antibióticos
  • Bioinseticidas mais sustentáveis
  • Moléculas com aplicação farmacêutica

Em um cenário de crescente resistência bacteriana e mudanças climáticas, explorar essa diversidade se torna estratégico para a ciência.

Curiosamente, o sucesso de The Last of Us tem tido um efeito positivo no mundo acadêmico. Pesquisadores relatam aumento do interesse de estudantes por micologia, a área que estuda fungos.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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