A presença do peixe-leão (Pterois volitans) no litoral potiguar tem causado preocupação crescente entre pesquisadores, ambientalistas e comunidades pesqueiras. Originário da região indo-pacífica, esse predador marinho invasor se estabeleceu rapidamente, ameaçando o equilíbrio ecológico e a segurança dos humanos na região.
O peixe-leão, espécie exótica ao Brasil, foi identificado pela primeira vez no Rio Grande do Norte em 2022. Desde então, cerca de 300 exemplares foram capturados, segundo dados da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa).
Contudo, os pesquisadores afirmam que essa cifra representa apenas uma pequena fração do total presente nas águas locais, estimado em até 100 vezes mais.
Capacidade reprodutiva
Uma das maiores preocupações é a elevada taxa de reprodução do peixe-leão. Fêmeas podem liberar até 300 mil ovos em cada postura, chegando a quase 2 milhões por ano, o que favorece a rápida expansão da espécie.
Evidências de reprodução local já foram encontradas no estado, indicando que o peixe não está apenas migrando, mas se estabelecendo.
Impactos ambientais e ecológicos
Como predador no topo da cadeia alimentar, o peixe-leão pode causar desequilíbrios severos:
- Consome variadas espécies nativas, incluindo peixes, camarões e lagostas.
- Não possui predadores naturais na costa brasileira, o que facilita sua proliferação.
- Risco de extinção local para espécies nativas menos adaptadas à predação intensa.
- Pode comprometer a biodiversidade marinha e a saúde dos ecossistemas costeiros.
Embora ainda não haja dados conclusivos sobre declínio populacional específico, o potencial de impacto é elevado e preocupa biólogos.
Perigos para a saúde humana
O peixe-leão possui espinhos venenosos capazes de causar dores intensas, inflamações, convulsões e até desmaios. Embora mortes por contato com a toxina não tenham sido confirmadas no Brasil, um caso recente no RN levantou suspeitas ao associar a morte de um mergulhador a picadas do animal.
Em casos de acidentes, a recomendação médica é aplicar compressas de água morna e buscar atendimento imediato.
Desafios no controle e monitoramento
A adaptabilidade do peixe-leão a diferentes ambientes torna seu controle difícil:
- Sobrevive em águas limpas ou turvas, quentes ou frias, em profundidades de até 300 metros.
- Sua resistência a parasitas e dieta generalista favorecem sua proliferação.
- Monitorar e capturar a espécie é complicado pela constante chegada de novos exemplares.
As ações para controle dependem da colaboração de pescadores e pesquisadores para captura seletiva.
A presença do peixe-leão no litoral potiguar representa uma emergência ambiental silenciosa, com potencial para causar impactos profundos. A ciência já reconhece o problema, mas o controle da espécie invasora depende do engajamento coletivo e de ações ágeis e eficazes.






