A Groenlândia, a maior ilha do planeta com 2,1 milhões de km², está literalmente mudando de forma. Um estudo recente do DTU Space, da Dinamarca, revelou que o derretimento acelerado das camadas de gelo está provocando deslocamentos gradativos do território, cerca de dois centímetros por ano na direção noroeste.
Com 1,7 milhão de km² cobertos por gelo, a ilha sente diretamente os efeitos do aquecimento global. O derretimento não apenas altera a paisagem superficial, mas também modifica o leito rochoso subterrâneo. A pressão do gelo sobre a crosta terrestre diminui, desencadeando movimentos de torção, compressão e expansão.
Segundo os cientistas do DTU Space, a ilha está sendo simultaneamente torcida, comprimida e esticada. Esses movimentos são resultado de processos tectônicos combinados com mudanças no leito rochoso provocadas pelo derretimento das camadas de gelo.
Algumas áreas se expandem, enquanto outras se contraem, diminuindo levemente o tamanho total da ilha.
Herança da Era Glacial
Os efeitos observados hoje têm raízes antigas. Parte das mudanças está relacionada a massas de gelo que desapareceram desde o fim da última Era do Gelo, há cerca de 20 mil anos. Assim, a Groenlândia moderna reflete tanto processos históricos quanto impactos recentes do aquecimento global.
O estudo utilizou dados de 58 estações GNSS espalhadas pela ilha, integrando medições atuais com modelos geofísicos que cobrem 26 mil anos de evolução geológica. Pela primeira vez, foi possível medir com alta precisão os movimentos horizontais e verticais da Groenlândia.
Surpreendentemente, não se trata apenas de expansão: certas regiões estão em contração.
Derretimento acelerado
Segundo a Nasa, a Groenlândia perde cerca de 266 bilhões de toneladas de gelo por ano, enquanto a Antártida perde 135 bilhões. Juntas, essas regiões representam dois terços da água doce do planeta.
O derretimento contribui diretamente para a elevação do nível do mar, com efeitos globais sobre oceanos, costas e ecossistemas.
Consequências
Além do impacto climático, o movimento da ilha tem implicações na cartografia, navegação e estudos geográficos. Pontos de referência antes considerados fixos estão se deslocando, exigindo atualizações constantes em mapas e sistemas de navegação.
Com cerca de 56 mil habitantes, a Groenlândia é um dos principais termômetros do aquecimento global. O que antes era gelo sólido agora se torna um indicador visível e palpável das mudanças no planeta, lembrando que cada derretimento, cada deslocamento, tem reflexos que vão muito além do Ártico.





