Um estudo do Instituto Trata Brasil apontou que Ribeirão das Neves e Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, estão entre as cidades de Minas Gerais com os maiores índices de desperdício de água.
A pesquisa, baseada em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico (SINISA) de 2023 e divulgada no final de 2025, revelou que Ribeirão das Neves apresenta 57,65% de perdas, enquanto Betim registra 54,39%, indicando problemas significativos na gestão do recurso hídrico.
Belo Horizonte também figura na lista, com 41,63% de água perdida, e, juntas, essas cidades estão entre as dez piores do país nesse quesito.
Desperdício nas cidades mineiras
O desperdício de água tem reflexos diretos nos reservatórios que abastecem a Grande Belo Horizonte. Os principais mananciais registram níveis críticos, como Vargem das Flores com 92,5%, Rio Manso com 87,2%, Sistema Paraopeba com 76,7% e Serra Azul com 51,7%.
Além das perdas na rede de distribuição, o consumo doméstico contribui para o desperdício, com práticas como lavar calçadas com mangueira, trocar água de piscinas com frequência e deixar vazamentos internos sem reparo, sobrecarregando o sistema de abastecimento.
O crescimento urbano desordenado também intensifica a degradação dos recursos hídricos, e especialistas alertam que a pressão sobre os mananciais pode levar à superexploração de rios, córregos e reservatórios, aumentar os custos das companhias de saneamento e elevar tarifas, ao mesmo tempo em que reduz a cobertura de água potável.
Análise nacional
Em nível nacional, o estudo do Trata Brasil aponta que cerca de 40,31% da água tratada se perde antes de chegar às residências, equivalente a aproximadamente 6.346 piscinas olímpicas por dia, totalizando 5,8 bilhões de metros cúbicos por ano, volume suficiente para abastecer cerca de 50 milhões de pessoas. Entre as 100 maiores cidades, 14 registram perdas superiores a 50%, mostrando que o problema vai além de Minas Gerais.
A Portaria 490/2021 do Ministério do Desenvolvimento Regional considera adequado desempenho de municípios com até 25% de perdas. No entanto, a maior parte das cidades brasileiras ultrapassa esse limite, evidenciando a necessidade de investimentos em modernização, manutenção e monitoramento das redes de distribuição e desafios na gestão do abastecimento.






