Um projeto urbanístico promete transformar a forma como moradores e visitantes se conectam com a orla no coração de Florianópolis.
Desenvolvido pelo renomado escritório dinamarquês Gehl Architects, o plano propõe mudanças no Centro da cidade, com foco em tornar os espaços mais humanos, acessíveis e integrados à natureza.
Entre os pontos mais impactantes está a possibilidade de “afundar” um trecho da famosa Avenida Beira-Mar Norte, uma ideia ousada que pode redefinir completamente a paisagem urbana local.
Um Centro mais humano e conectado
O projeto, intitulado “Floripa Centro: Repensando os espaços públicos para as pessoas”, foi apresentado ao prefeito Topázio Neto e traz uma visão moderna de urbanismo, priorizando pedestres, ciclistas e a convivência social.
A proposta vai além da Beira-Mar e inclui intervenções em áreas estratégicas como a Rua Esteves Júnior e o entorno do Mercado Público de Florianópolis, buscando revitalizar o Centro como um espaço vibrante e acessível.
Travessias mais seguras e naturais
Uma das ideias mais simples e também mais viáveis é a criação de faixas de pedestres elevadas e alargadas. Essas travessias seriam posicionadas de acordo com os caminhos naturais das pessoas, reduzindo riscos e incentivando deslocamentos mais intuitivos.
Essa solução é considerada a mais conservadora, mas também a mais rápida de implementar, com impacto direto na segurança e mobilidade urbana.
Avenida “afundada”
A ideia que mais chama atenção é o rebaixamento de um trecho da Avenida Beira-Mar Norte. Nesse cenário, a via seria construída em um nível inferior, enquanto, acima dela, surgiria uma grande praça pública ao nível do mar.
Essa intervenção criaria um espaço contínuo entre a cidade e a orla, eliminando a barreira visual e física causada pelo tráfego intenso. Segundo o Gehl Architects, trata-se de uma solução complexa e cara, mas com potencial de se tornar um marco icônico para a cidade.
Por outro lado, o próprio estudo reconhece que essa mudança seria localizada e não resolveria todos os desafios ao longo da avenida.
Passarela verde
Outra proposta apresentada é a construção de uma passarela verde ligando o Centro à orla. Apesar do apelo visual e da possibilidade de se tornar um novo cartão-postal, essa solução não é a preferida dos urbanistas.
O motivo? Ela prioriza o fluxo de veículos em alta velocidade e obriga pedestres e ciclistas a fazerem desvios, o que vai contra o conceito de cidade centrada nas pessoas.
Embora as propostas encantem pela inovação, ainda existem desafios importantes: custo elevado, impacto ambiental, viabilidade técnica e aceitação da população.
O futuro da Florianópolis pode estar prestes a mudar e o mar, que sempre foi símbolo da cidade, pode finalmente se tornar ainda mais próximo do cotidiano urbano.






