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Cidade paulista quer punir falsos benefícios com bebê reborn

Por Leticia Florenço
08/06/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Bebê Reborn - Reprodução

Bebê Reborn - Reprodução

A cidade de Guarujá, localizada no litoral paulista, está no centro de uma discussão polêmica e inédita no Brasil. A Câmara Municipal analisa o Projeto de Lei 95/2025, de autoria do vereador Santiago dos Santos Angelo (Progressistas), que propõe a proibição do uso de bonecos hiper-realistas, conhecidos como bebês reborn, para obtenção de privilégios garantidos a crianças reais.

Os bebês reborn são bonecos extremamente realistas, confeccionados com detalhes que imitam com precisão a aparência de um recém-nascido. Feitos com silicone ou vinil especial, esses objetos reproduzem expressões faciais, peso corporal, textura de pele, veias, cabelo implantado fio a fio, entre outros detalhes.

Muitas vezes, são utilizados como elementos terapêuticos ou de coleção.

O que prevê o Projeto de Lei 95/2025?

O projeto propõe proibir o uso de bonecos do tipo reborn ou similares para acessar benefícios reservados a crianças de verdade no município de Guarujá. Entre os exemplos citados estão:

  • Atendimento preferencial em unidades de saúde;
  • Prioridade em filas;
  • Assentos preferenciais em transportes públicos;
  • Descontos ou gratuidade em serviços voltados à infância;
  • Outros direitos reservados a menores de idade.

Penalidades para quem descumprir

O texto da proposta estabelece que, se aprovada, a lei será acompanhada de penalidades progressivas:

  • Primeira infração: Advertência formal;
  • Reincidência: Multa de até 2.500 Unidades Fiscais do Município (UFMs), o que representa, em valores atuais, até R$ 11.575.

Os recursos arrecadados com as multas deverão ser direcionados ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização ficará sob a responsabilidade da Secretaria de Defesa e Convivência Social.

Argumento por trás da proposta

A justificativa do projeto gira em torno do uso indevido dos bonecos para fraudar o sistema de benefícios públicos, o que configura um desrespeito tanto aos recursos públicos quanto às famílias e crianças que realmente necessitam dessas garantias legais.

Segundo o vereador Santiago, a medida visa proteger os direitos reais da infância e evitar que esses objetos sejam usados com má-fé para obtenção de vantagens.

Acolhimento psicossocial

Curiosamente, o mesmo vereador propôs também o PL 96/2025, que trata do acolhimento de pessoas que desenvolvem vínculos afetivos com bebês reborn. Esse projeto prevê:

  • Atendimento psicológico e psiquiátrico na rede pública;
  • Criação de grupos terapêuticos;
  • Campanhas de conscientização;
  • Capacitação de profissionais de saúde para lidar com o tema de forma empática.

Santiago reconhece que muitas pessoas utilizam esses bonecos como instrumentos de enfrentamento ao luto perinatal, infertilidade, depressão, ansiedade ou solidão. Nesse sentido, o PL 96/2025 não entra em conflito com o PL 95/2025, mas sim busca equilibrar proteção legal e acolhimento social.

Os projetos de lei 95/2025 e 96/2025 mostram que a gestão pública precisa se adaptar a novas realidades sociais e emocionais, equilibrando o rigor legal com a compreensão humana. A decisão da Câmara poderá abrir precedentes importantes para outras cidades brasileiras lidarem com questões semelhantes no futuro.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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