O tenente-coronel Mauro Cid, delator central da trama golpista, formalizou um pedido para deixar o Exército. A informação foi divulgada pela própria defesa durante o primeiro dia de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), colocando o militar em uma posição delicada tanto institucional quanto pessoal.
Segundo o advogado Jair Alves Ferreira, Cid “não tem mais condições psicológicas de continuar como militar”. A delação premiada, que expôs não apenas o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas também generais de alta patente, teria sido extremamente desgastante para ele.
Delação considerada traumática
Mauro Cid relatou a interlocutores que a delação foi um “processo traumático”. Ele se sentiu pressionado e prejudicado por ter revelado fatos sensíveis, envolvendo figuras de peso do governo e antigos colegas. O desgaste emocional foi citado como fator principal para a solicitação de baixa do Exército.
O pedido para passar à reserva foi protocolado há cerca de um mês, mas ainda não recebeu decisão oficial. Enquanto isso, o julgamento prossegue, e Cid permanece no centro das atenções como delator da trama que tenta alterar o regime democrático do país.
Relevância da delação
Apesar do alto custo pessoal, a delação de Cid é considerada decisiva para o andamento do processo.
Ela serviu de base para as denúncias contra os outros réus, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, e revelou detalhes sobre crimes como tentativa de golpe, organização criminosa armada e danos contra o patrimônio público.
Crimes atribuídos a Cid na trama golpista
O militar responde a acusações graves, que incluem:
- Organização criminosa armada;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Tentativa de golpe de Estado;
- Dano qualificado contra o patrimônio da União;
- Deterioração de patrimônio tombado.
Após a defesa de Cid, as defesas dos outros sete réus, incluindo o ex-presidente, terão a oportunidade de se manifestar. As alegações finais são uma etapa crucial, podendo influenciar diretamente nas decisões do STF sobre o caso.






