Depois de oito anos de conversas, encontros diplomáticos e ajustes técnicos, o Mercosul e a EFTA (Associação Europeia de Livre Comércio) celebraram em Buenos Aires um acordo de livre comércio que promete transformar o cenário econômico entre a América do Sul e quatro nações europeias: Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.
Trata-se de um entendimento abrangente que abre as portas de um mercado com cerca de 290 milhões de consumidores e um PIB conjunto estimado em US$ 4,39 trilhões.
Mais do que chocolate
Apesar do chocolate suíço ter se tornado o símbolo mais midiático do acordo, graças à sua provável redução de preço no Mercosul, os impactos vão muito além da sobremesa. O pacto inclui isenção ou redução progressiva de tarifas de importação sobre uma ampla gama de produtos, como:
- Produtos agrícolas: Café torrado, suco de laranja, melões, bananas, uvas frescas.
- Derivados do cacau: Como manteiga e amêndoa de cacau, fundamentais para a produção de chocolates.
- Carnes, laticínios e óleos: Com cotas específicas negociadas para carnes bovinas, óleos vegetais e leite.
- Vinhos tintos: Que terão volume generoso de exportação liberado com tarifa reduzida.
A isenção imediata de 100% das tarifas para setores industriais e pesqueiros na EFTA pode beneficiar empresas exportadoras do Mercosul que buscam internacionalizar sua produção com maior valor agregado.
Como o chocolate pode ficar mais barato
Hoje, os chocolates suíços enfrentam uma tarifa de 20% para entrar no Mercosul. Com o novo acordo, a entrada do produto, dentro de cotas estabelecidas, será isenta dessa taxa, o que poderá reduzir os preços ao consumidor latino-americano, especialmente nas prateleiras brasileiras.
A medida deve favorecer o aumento das importações desses produtos premium e oferecer maior diversidade para os consumidores, uma vitória tanto para o mercado quanto para os amantes de doces refinados.
Modernização das cadeias produtivas sul-americanas
Além da abertura de mercados, o acordo é visto como uma chance estratégica de modernizar cadeias produtivas nos países do Mercosul.
Suíça e Noruega, reconhecidas por sua excelência tecnológica e rigor produtivo, podem melhorar a sofisticação da indústria sul-americana por meio da transferência de conhecimento, parcerias comerciais e inovação.
Esse intercâmbio tecnológico é visto como um passo essencial para que países como o Brasil possam ir além da exportação de commodities e avancem na produção de bens com maior valor agregado, gerando mais empregos e riqueza local.
Redução tarifária
O texto do acordo prevê um cronograma de até 15 anos para que as tarifas de importação cheguem a zero em todas as categorias acordadas. Isso significa que os efeitos mais profundos do tratado não serão imediatos, mas sim progressivos, permitindo que os setores econômicos se adaptem às novas dinâmicas de mercado.
Durante esse período, as tarifas cairão em etapas, de acordo com cronogramas específicos por produto e país. Enquanto isso, cotas preferenciais já estabelecidas para alguns itens devem começar a funcionar assim que o acordo for aceito.
Um detalhe importante é que os países do Mercosul também poderão disputar cotas que a Suíça possui na OMC, como as 22,5 mil toneladas destinadas à carne bovina. Isso amplia ainda mais as possibilidades de exportação para os produtores da região, além das cotas já garantidas pelo novo acordo.
Se bem implementado, o acordo poderá beneficiar desde grandes exportadores até consumidores comuns, passando por agricultores, pequenos produtores e empresas de médio porte. E, claro, poderá tornar aquele chocolate suíço, antes símbolo de luxo, uma opção mais presente no cotidiano dos latino-americanos.






