Para algumas pessoas, os cuidados dentários estão longe de ser uma prioridade, já que as visitas ao dentista são raras e até a escovação acaba sendo negligenciada. Todavia, um novo estudo, conduzido por pesquisadores da Coreia do Sul, pode mudar totalmente esta perspectiva.
Isso porque, de acordo com os resultados publicados na revista Nature Communications, problemas como cáries podem afetar não apenas os dentes, mas também outros órgãos como o cérebro, desencadeando problemas como o Parkinson.
A descoberta foi realizada pois os especialistas identificaram grandes concentrações de Streptococcus mutans, a bactéria conhecida por causar cáries dentárias, na microbiota intestinal de pacientes com a doença degenerativa.
Além disso, a enzima urocanato redutase (UrdA) e o subproduto metabólico propionato de imidazol (ImP), que são produzidos pelo microrganismo, também foram encontrados em quantidades elevadas no intestino e na corrente sanguínea dos pacientes, reforçando ainda mais a teoria.
Ao realizar testes com camundongos, os cientistas alcançaram resultados muito semelhantes aos observados, uma vez que os animais passaram a apresentar alterações típicas do Parkinson. Com isso, ficou claro que há uma significativa influência de micróbios bucais para o surgimento da doença.
Perigos ocultos das cáries: outros perigos da condição
Vale destacar que a pesquisa sul-coreana não foi a primeira a demonstrar os efeitos adversos que cáries podem causar à saúde, tendo em vista que especialistas da Academia Americana de Neurologia também comprovaram que problemas bucais podem provocar um aumento no risco de ocorrência de um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico.
Já pesquisadores da Finlândia identificaram uma relação entre bactérias presentes na boca e o aumento do risco de morte por doenças cardíacas, sobretudo em razão de processos inflamatórios sistêmicos provocados por esses microrganismos.
Além disso, a relação entre as cáries com problemas como o Parkinson já é um tópico relevante entre a comunidade científica desde 2019. Contudo, é inegável que os resultados encontrados pelos cientistas da Coreia foram cruciais para aprofundar as pesquisas.






