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Canetas emagrecedoras falsificadas levam pacientes à UTI

Por Leticia Florenço
13/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Canetas emagrecedoras - Reprodução/iStock

Canetas emagrecedoras - Reprodução/iStock

As chamadas “canetas emagrecedoras” surgiram a partir de medicamentos originalmente indicados para o tratamento do diabetes tipo 2, como a semaglutida, a liraglutida e mais recentemente a tirzepatida.

Esses medicamentos atuam como análogos do hormônio GLP-1 (peptídeo semelhante ao glucagon-1), que é produzido naturalmente pelo organismo para ajudar na regulação do apetite, favorecendo a redução da fome e, consequentemente, auxiliando na perda de peso.

Por esse motivo, além de pacientes diabéticos, pessoas com obesidade passaram a receber essas medicações sob acompanhamento médico, pois se mostraram eficazes na redução do peso corporal quando usadas corretamente.

O avanço do uso estético

Com a grande repercussão dos resultados dessas canetas no emagrecimento, a demanda aumentou, especialmente entre pessoas que buscam perder peso rapidamente por motivos estéticos, sem necessariamente ter indicação clínica para o uso.

Esse crescimento no interesse abriu espaço para o mercado ilegal: versões falsificadas e contrabandeadas dessas canetas passaram a ser produzidas e vendidas, principalmente no Paraguai, e distribuídas ilegalmente no Brasil, através de redes sociais e grupos de mensagens instantâneas.

Os perigos das canetas falsificadas

Diferente das versões aprovadas e regulamentadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as canetas contrabandeadas não passam por nenhum controle de qualidade ou segurança. Assim, os riscos aumentam exponencialmente:

  • Composição desconhecida: Podem conter substâncias tóxicas, contaminantes ou ingredientes diferentes dos originais.
  • Ausência de controle de dosagem: Risco de administração inadequada, levando a efeitos adversos graves.
  • Riscos à saúde: Danos ao fígado, rins e coração são possíveis, além de complicações como pancreatite.
  • Internações e quadros graves: Já existem relatos de pacientes que foram parar em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) após o uso dessas canetas.

A falta de fiscalização e o papel das redes sociais

As falsificações são anunciadas abertamente em plataformas digitais, com propagandas que prometem emagrecimento rápido e milagroso. Muitas vezes, os vendedores sequer exigem receita médica, ou aceitam qualquer documento, facilitando o acesso indiscriminado a esses produtos.

Embora o Brasil tenha implementado regras rigorosas para a venda dessas medicações, incluindo a obrigatoriedade da retenção da receita, o combate à falsificação ainda é um desafio constante para as autoridades.

Consequências do uso sem acompanhamento médico

O uso inadequado dessas canetas pode gerar vários efeitos colaterais sérios, entre eles:

  • Náuseas e vômitos frequentes
  • Desidratação severa
  • Perda excessiva de massa magra e óssea
  • Desequilíbrios eletrolíticos
  • Problemas cardiovasculares

Além disso, a automedicação e a interrupção abrupta do tratamento podem desencadear o temido “efeito sanfona”, no qual o paciente recupera rapidamente o peso perdido, agravando o quadro.

Quem não deve usar essas medicações?

Especialistas alertam que essas canetas são contraindicadas para pessoas que não apresentam obesidade ou diabetes, bem como para:

  • Pacientes com alergia aos componentes do medicamento
  • Pessoas com histórico de pancreatite
  • Quem tem histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide
  • Gestantes e lactantes

O uso incorreto pode agravar ou desencadear essas condições.

O que fazer para se proteger?

  • Sempre consultar um médico antes de iniciar qualquer tratamento para emagrecimento.
  • Exigir medicamentos apenas em farmácias autorizadas e com receita retida.
  • Desconfiar de ofertas muito baratas ou vendas em redes sociais e grupos de mensagens.
  • Denunciar pontos de venda ilegais às autoridades sanitárias.

O combate a esse problema exige a união de esforços entre órgãos reguladores, profissionais da saúde e a conscientização da população para evitar que o desejo por um emagrecimento rápido se transforme em um problema de saúde ainda maior.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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