A sanção da Lei 15.395/2026 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva marca uma das mais significativas mudanças salariais recentes para profissionais da segurança pública vinculados ao Distrito Federal e antigos territórios federais.
Publicada oficialmente no Diário Oficial da União, a legislação consolida reajustes expressivos, reorganiza estruturas de carreira e estabelece novas diretrizes institucionais para categorias historicamente estratégicas para o funcionamento do Estado brasileiro.
A medida, originada da Medida Provisória 1.326/2025, entra em vigor com efeitos financeiros retroativos ao final de 2025, garantindo reajustes já incorporados ao planejamento orçamentário federal.
O texto representa uma tentativa de recomposição remuneratória após anos de pressões corporativas, reivindicações salariais e debates sobre valorização profissional no setor de segurança.
Reajustes salariais elevam remuneração de militares e policiais civis
Entre os principais destaques da nova legislação está o aumento aproximado de 50% nos soldos das carreiras militares do Distrito Federal, abrangendo policiais militares e bombeiros. O reajuste foi estruturado de maneira uniforme, alcançando diferentes patentes e consolidando ganhos expressivos para a base e o topo das corporações.
Além disso, a Vantagem Pecuniária Especial (VPE), um dos principais complementos remuneratórios dessas categorias, também sofreu atualização relevante. Os percentuais variam entre 1,8% e 31,5%, conforme a posição hierárquica, função e estrutura funcional de cada servidor.
Na Polícia Civil do Distrito Federal, os reajustes foram igualmente robustos, oscilando entre 24,4% e 27,3%, com maior valorização destinada a cargos superiores. Essa diferenciação reflete uma política de reforço institucional voltada para retenção de quadros especializados e fortalecimento da gestão operacional.
Antigos territórios federais também recebem recomposição salarial
Militares vinculados aos antigos territórios federais de Amapá, Rondônia e Roraima também foram contemplados pela nova norma. Para esses profissionais, foi definido reajuste de 24,32%, implementado em duas fases: dezembro de 2025 e janeiro de 2026.
A inclusão dessas categorias demonstra o esforço do governo federal em uniformizar políticas salariais e corrigir distorções históricas que, por décadas, geraram disparidades entre servidores de regiões distintas, especialmente aqueles vinculados a administrações territoriais extintas.
Proteção social e progressão funcional passam por reformulação
Além dos reajustes financeiros, a legislação promove mudanças estruturais profundas nas corporações de segurança. Entre as principais alterações estão:
- Criação de sistema de proteção social para militares do Distrito Federal;
- Novas regras para remuneração previdenciária e pensões;
- Ampliação de assistência à saúde e suporte institucional;
- Atualização de critérios para promoção e progressão funcional;
- Exigência de formação em Direito para determinados postos de oficialato da Polícia Militar;
- Revisão de requisitos etários e tempo de serviço.
Essas mudanças refletem uma modernização administrativa voltada à profissionalização, especialização técnica e maior alinhamento das carreiras às exigências contemporâneas da segurança pública.
Corpo de Bombeiros ganha novas atribuições estratégicas
O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal também emerge como um dos principais beneficiados pela reforma. A nova lei amplia formalmente suas competências, permitindo atuação mais abrangente em:
- Defesa civil;
- Fiscalização preventiva;
- Operações emergenciais;
- Gestão de crises;
- Apoio em catástrofes e calamidades.
Essa expansão institucional fortalece o papel da corporação como eixo central na gestão de riscos e emergências, indo além das funções tradicionais de combate a incêndios.
Vetos presidenciais barram expansão de benefícios permanentes
Apesar da sanção, Lula vetou 11 dispositivos considerados sensíveis sob o ponto de vista fiscal e administrativo. Entre os trechos barrados estavam:
- Criação de novos cargos permanentes;
- Reestruturações automáticas de carreira;
- Ampliação de benefícios continuados;
- Concursos com previsões automáticas;
- Reintegrações administrativas à União;
- Revisões amplas de quadros funcionais.
Os vetos sinalizam uma postura de contenção orçamentária, mesmo diante da valorização salarial concedida. O objetivo foi limitar potenciais efeitos financeiros futuros considerados excessivos ou incompatíveis com o equilíbrio fiscal.
Congresso ainda poderá revisar decisões presidenciais
Os vetos agora seguem para análise do Congresso Nacional, que possui prerrogativa para mantê-los ou derrubá-los. Esse processo poderá redefinir aspectos importantes da lei, especialmente aqueles relacionados à estrutura funcional e benefícios adicionais.
Caso haja reversão parlamentar, o impacto financeiro poderá crescer significativamente, ampliando os custos previstos inicialmente.
Com efeitos imediatos e repercussões fiscais de longo prazo, a medida representa um dos maiores movimentos recentes de valorização do setor, consolidando mudanças que poderão influenciar futuras políticas salariais para outras categorias do funcionalismo público.





