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Calendário do IR 2026 foi divulgado? Saiba quando você deve declarar

Por Leticia Florenço
21/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Restituição do Imposto de Renda - Reprodução

Restituição do Imposto de Renda - Reprodução

A expectativa em torno do calendário do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026 cresce à medida que o início do ano avança.

Embora a Receita Federal ainda não tenha divulgado oficialmente as datas para a entrega da declaração referente ao ano-calendário de 2025, o comportamento adotado nos últimos exercícios permite traçar um panorama bastante consistente sobre quando os contribuintes deverão prestar contas ao Fisco.

Nos últimos anos, o período de entrega deixou de ser encerrado em abril e passou a se estender até o final de maio.

O que começou como uma medida emergencial durante a pandemia da Covid-19 acabou se tornando regra, principalmente para viabilizar o uso mais amplo da declaração pré-preenchida, ferramenta que depende do envio prévio de dados por empresas, bancos, planos de saúde e demais instituições.

Histórico recente aponta padrão consolidado entre março e maio

Desde 2023, a Receita Federal passou a adotar definitivamente o intervalo entre março e maio para a entrega da declaração. Em 2025, por exemplo, o prazo teve início em 17 de março e se encerrou em 30 de maio, com ajuste da data inicial para o primeiro dia útil após 15 de março.

Já em 2024, o envio ocorreu entre 15 de março e 31 de maio, com prorrogação excepcional até agosto para contribuintes de municípios do Rio Grande do Sul atingidos por calamidade climática.

Antes dessa consolidação, entre 2020 e 2022, os prazos sofreram sucessivas prorrogações em razão da pandemia.

Especialistas avaliam que, na ausência de eventos extraordinários, a declaração do Imposto de Renda 2026 deverá seguir exatamente esse mesmo modelo, com abertura em meados de março e encerramento no fim de maio.

Confirmação oficial depende de publicação no Diário Oficial

Apesar das projeções, a confirmação oficial do calendário só ocorrerá após a publicação da Instrução Normativa da Receita Federal no Diário Oficial da União.

Tradicionalmente, esse ato normativo é divulgado nos primeiros meses do ano, detalhando prazos, regras, formas de entrega e eventuais novidades no programa de declaração.

Enquanto isso, a recomendação é que os contribuintes não deixem a organização para a última hora. Informes de rendimentos, comprovantes de despesas médicas e educacionais, dados bancários e registros de bens devem ser separados com antecedência para evitar atrasos, erros e multas.

Nova tabela do Imposto de Renda 2026 amplia a faixa de isenção

Desde 1º de janeiro, entrou em vigor a nova tabela mensal do Imposto de Renda, trazendo mudanças relevantes para milhões de brasileiros. A principal delas é a isenção total para quem recebe até R$ 5 mil por mês, além de uma redução progressiva do imposto para rendas de até R$ 7.350.

A medida faz parte da reformulação do sistema tributário do IR e tem como objetivo aliviar a carga sobre trabalhadores, aposentados e a classe média, preservando a arrecadação por meio de ajustes na tributação da alta renda.

Quem passa a ficar totalmente isento do IR em 2026

Com a nova regra, deixam de pagar Imposto de Renda, desde que a renda mensal não ultrapasse R$ 5 mil:

  • Trabalhadores com carteira assinada;
  • Servidores públicos;
  • Aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios.

A Receita Federal, no entanto, alerta que contribuintes com mais de uma fonte de renda podem ter imposto a complementar na declaração anual, mesmo que cada rendimento individual esteja dentro do limite mensal de isenção.

Redução parcial do imposto para rendas de até R$ 7.350

Para quem recebe entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350 por mês, a legislação prevê um desconto gradual no imposto devido. Quanto mais próxima a renda estiver de R$ 5 mil, maior será o benefício. À medida que o valor se aproxima do teto de R$ 7.350, o desconto diminui até ser totalmente eliminado.

Essa regra também se aplica ao 13º salário, o que pode gerar impacto positivo no valor líquido recebido ao fim do ano.

Como funciona a redução mensal do Imposto de Renda em 2026

  • Até R$ 5 mil: redução de até R$ 312,89, zerando o imposto
  • De R$ 5.000,01 a R$ 7.350:
    Redução calculada pela fórmula:
    R$ 978,62 – (0,133145 × renda mensal)
  • A partir de R$ 7.350,01: não há redução

Tabela mensal tradicional segue valendo para rendas mais altas

Para rendimentos acima de R$ 7.350, continuam em vigor as faixas e alíquotas tradicionais do Imposto de Renda:

  • Até R$ 2.428,80: Isento
  • De R$ 2.428,81 a R$ 2.826,65: 7,5%
  • De R$ 2.826,66 a R$ 3.751,05: 15%
  • De R$ 3.751,06 a R$ 4.664,68: 22,5%
  • Acima de R$ 4.664,68: 27,5%

Mudanças também impactam a apuração anual do imposto

Além da tabela mensal, o governo instituiu novas regras para o cálculo anual do Imposto de Renda:

  • Isenção total para quem ganhar até R$ 60 mil em 2026;
  • Redução gradual para rendas entre R$ 60.000,01 e R$ 88,2 mil;
  • Acima desse valor, não há desconto adicional.

O redutor anual é limitado ao imposto devido, ou seja, não gera imposto negativo nem restituição extra automática.

Imposto mínimo passa a atingir contribuintes de alta renda

Para compensar a ampliação da isenção e a redução da carga tributária, foi criado o Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM). A nova regra alcança contribuintes com renda anual superior a R$ 600 mil, com alíquota progressiva que pode chegar a 10% para rendimentos acima de R$ 1,2 milhão.

Segundo estimativas do governo federal, cerca de 141 mil contribuintes serão impactados. A cobrança, porém, começará a ser apurada apenas na declaração de 2027.

Deduções permanecem sem alterações

A reforma não modificou as principais deduções permitidas no Imposto de Renda, que seguem com os seguintes limites:

  • Dependentes: R$ 189,59 por mês;
  • Desconto simplificado mensal: Até R$ 607,20;
  • Gastos com educação: Até R$ 3.561,50 por pessoa ao ano;
  • Desconto simplificado anual: Até R$ 17.640.

Impacto esperado para os contribuintes

De acordo com o governo, as mudanças devem beneficiar cerca de 16 milhões de brasileiros, ampliando a faixa de isenção e reduzindo a carga tributária sobre a classe média, ao mesmo tempo em que reforçam a tributação sobre a alta renda.

Enquanto o calendário oficial do Imposto de Renda 2026 não é divulgado, a orientação principal é planejamento, organização e atenção às novas regras, que podem fazer diferença tanto no valor do imposto quanto na restituição.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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