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Cacau deve ter porcentagem mínima nos chocolates com novo PL

Por Leticia Florenço
23/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Cacau - Reprodução Wikimedia Commons / Gilberto Marques

Cacau - Reprodução Wikimedia Commons / Gilberto Marques

O Senado Federal aprovou um projeto de lei que redefine os critérios para que produtos sejam comercializados como chocolate no Brasil. A proposta estabelece que apenas itens com mínimo de 35% de sólidos totais de cacau poderão receber essa denominação. O texto segue agora para sanção presidencial.

A medida altera significativamente o padrão atual, que permite apenas 25% de cacau, conforme normas vigentes. A mudança busca aumentar a transparência na composição dos produtos e garantir maior qualidade ao consumidor.

Novas regras e fim de classificações tradicionais

Além do aumento no teor mínimo de cacau, o projeto elimina o uso de termos como “amargo” e “meio amargo” nas embalagens. Essas expressões, amplamente utilizadas pela indústria, deixam de ser reconhecidas oficialmente por não possuírem critérios técnicos definidos.

Com isso, a identificação do produto passará a ser feita exclusivamente com base na porcentagem de cacau informada no rótulo, o que deve facilitar a comparação entre diferentes marcas.

Especialistas apontam excesso de açúcar nos produtos atuais

De acordo com especialistas do setor alimentício, muitos chocolates disponíveis no mercado apresentam baixo teor de cacau e alta concentração de açúcar e gorduras. O chamado chocolate ao leite, por exemplo, costuma ter sabor mais adocicado justamente pela menor presença da matéria-prima principal.

Já o chocolate branco não contém sólidos de cacau, sendo produzido a partir de manteiga de cacau, leite e açúcar, característica que também passa a ser mais claramente destacada com as novas regras.

Percentuais mínimos por categoria

O texto aprovado define critérios específicos para diferentes tipos de produtos:

  • Chocolate: Mínimo de 35% de sólidos de cacau
  • Chocolate ao leite: Mínimo de 25% de cacau e 14% de derivados lácteos
  • Chocolate em pó: Mínimo de 32% de cacau

As exigências visam padronizar o mercado e reduzir distorções na composição dos alimentos vendidos como chocolate.

Rotulagem mais rigorosa

Outro ponto central do projeto é a mudança nas regras de rotulagem. As embalagens deverão apresentar de forma clara o teor de cacau, e ficará proibido o uso de imagens, cores ou elementos visuais que possam induzir o consumidor a erro.

A intenção é coibir práticas consideradas enganosas, como embalagens que sugerem maior concentração de cacau do que a efetivamente presente no produto.

Impactos no mercado

A nova regulamentação deve exigir adaptações por parte da indústria, que poderá precisar reformular produtos para atender aos padrões estabelecidos. Empresas que já utilizam maior teor de cacau tendem a se adequar com mais facilidade.

Para os consumidores, a expectativa é de maior clareza nas informações e melhoria na qualidade dos produtos disponíveis no mercado.

Com a aprovação no Senado, o projeto aguarda sanção presidencial para entrar em vigor. Caso seja validado, o setor terá um período de transição para se adaptar às novas exigências.

A proposta é vista como um avanço na regulamentação do setor alimentício, ao estabelecer critérios mais objetivos para a definição de chocolate no país.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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