A pescada-amarela, espécie comum na costa de Santa Catarina, tornou-se notícia recentemente pelo valor extraordinário de seu bucho.
A bexiga natatória, órgão que ajuda o peixe a controlar a flutuabilidade, passou a ser um item de luxo, com preços que chegam a R$ 3 mil por quilo, quase 200 vezes mais caro que o peixe inteiro, vendido a R$ 16,10 em média.
O alto preço do bucho se deve à demanda internacional, especialmente na Ásia, onde sua textura e sabor são altamente apreciados. Além disso, a bexiga natatória contém colágeno, com benefícios para pele, ossos, cabelos e unhas, tornando-se também um produto com valor medicinal.
Captura extraordinária em Florianópolis
No último domingo, 78 pescadas-amarelas foram capturadas sob a ponte Hercílio Luz, em Florianópolis. Para os pescadores locais, esse número é surpreendente, já que normalmente a captura diária varia de 10 a 20 peixes. A quantidade registrada chamou atenção e reforçou a raridade do evento.
A concentração da espécie na região está ligada a um navio naufragado em 1953, localizado a mais de 50 metros de profundidade. A embarcação funciona como abrigo e área de reprodução, ajudando a explicar a presença de tantos peixes no local.
Tradição e preservação na pesca
A pesca da pescada-amarela exige conhecimento profundo. Os pescadores seguem tradições que incluem soltar peixes menores e capturar apenas os exemplares grandes. Esse cuidado garante a preservação da espécie, mesmo diante do valor elevado do bucho, e mantém vivas práticas culturais centenárias.
O fenômeno do bucho da pescada-amarela transforma a vida de pescadores e comerciantes, gerando renda extra e atraindo atenção da mídia. Ao mesmo tempo, evidencia a importância de equilibrar lucro e sustentabilidade, mostrando como o conhecimento tradicional é estratégico frente à exploração predatória.
Um tesouro escondido no fundo do mar
O caso da pescada-amarela ilustra como elementos naturais podem se tornar produtos de alto valor econômico. Entre história, ecologia e mercado de luxo, o bucho do peixe revela que, às vezes, o verdadeiro tesouro está protegido no fundo do mar, guardado por décadas de tradição e preservação.





