Quem ganha a partir de R$ 6 mil por mês está pagando, proporcionalmente, mais Imposto de Renda do que os milionários do país. Essa realidade incômoda para milhões de brasileiros foi revelada por um estudo recente do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).
O levantamento escancarou uma distorção no sistema tributário que penaliza principalmente a classe média assalariada e que segue valendo ao longo deste ano de 2025.
Brasileiros recebem pior notícia do ano e mais um imposto obrigatório chegou
A análise, feita com base nas declarações de imposto de renda do ano-base 2023, revela que a chamada alíquota efetiva, que representa o percentual real da renda que vai para o Fisco, atinge seu pico entre os contribuintes que recebem de 15 a 20 salários mínimos.
Nesse grupo, o percentual médio pago chega a 11,40%. Enquanto isso, entre os mais ricos, com ganhos mensais acima de R$ 316 mil, a média cai para 5,28%. A diferença se explica pela origem dos rendimentos.
Os trabalhadores comuns têm quase toda sua renda tributada diretamente na fonte. Já os mais ricos conseguem estruturar seus ganhos com base em lucros, dividendos e outros mecanismos legalmente isentos de tributação no Brasil.
O fenômeno conhecido como “pejotização”, que transforma contratos de trabalho em prestações de serviço via pessoa jurídica, também amplia esse abismo. Muitos profissionais de alta renda usam esse modelo para pagar menos imposto, distorcendo ainda mais o conceito de justiça fiscal.
Na prática, quem está no topo da pirâmide paga menos, proporcionalmente, do que professores, enfermeiros ou servidores públicos.
Governo apresentou estudo para enfrentar as desigualdades do Imposto de Renda
Diante desse cenário, o Ministério da Fazenda apresentou um estudo técnico com propostas para enfrentar as desigualdades do IRPF.
O documento, elaborado pela Secretaria de Política Econômica, defende uma reforma que combine isenção para quem ganha até R$ 5 mil com a criação de uma alíquota mínima para altas rendas.
A proposta está no Projeto de Lei 1.087/2025, que deve ser votado nos próximos meses. Segundo o estudo, a medida não apenas aumentaria a progressividade do sistema, como também reduziria a desigualdade de renda no país.
Enquanto a reforma não é aprovada, milhões de brasileiros da classe média seguem arcando com uma carga tributária mais pesada que a dos super-ricos. Para muitos, a sensação é de que, no atual modelo, ser assalariado virou sinônimo de desvantagem fiscal.






