No fim da tarde de quarta-feira (25), cerca de 40 pessoas, incluindo pelo menos 19 turistas brasileiros, ficaram isoladas na Cordilheira dos Andes, em uma região de altíssima altitude no Chile.
O incidente ocorreu próximo ao quilômetro 80 da Rota CH-27, no trajeto para o Paso de Jama, uma das principais passagens entre Chile e Argentina, a mais de 4.200 metros de altitude.
A região enfrentou uma forte nevasca, com temperaturas por volta de -7°C e ventos que chegam a 90 km/h. A baixa visibilidade e uma camada de 10 centímetros de neve tornaram a estrada intransitável, bloqueada por um caminhão que escorregou e obstruiu completamente os dois sentidos da via.
Perfil do grupo isolado
Além dos 19 brasileiros, estavam no local três membros do Conselho de Povos Atacamenhos e pelo menos cinco caminhoneiros. Todos passaram a noite dentro de veículos, protegidos do frio intenso, porém com suprimentos limitados.
O local, devido à altitude e geografia, não possui sinal de celular, o que complica a comunicação. O grupo conseguiu manter contato com as autoridades apenas via telefone via satélite, embora a conexão seja instável e intermitente.
Operações de resgate em curso
- Avanço limitado: Equipes de bombeiros chilenas iniciaram o deslocamento para o local, mas só conseguiram avançar metade do caminho (40 km dos 80 km previstos) devido à neve acumulada.
- Intervenção do exército: Os militares conseguiram alcançar o grupo por volta das 13h (horário de Brasília) e resgataram 20 pessoas que estavam a bordo do ônibus.
- Situação dos caminhoneiros: Ainda preocupam as condições de cerca de 20 caminhoneiros isolados dentro de seus veículos, aguardando ajuda.
Os militares estudam o uso de drones para entregar alimentos, água e agasalhos aos isolados enquanto as equipes terrestres tentam alcançar os veículos. Médicos e suprimentos estão preparados para atendimento imediato.
Desafios geográficos e ambientais
A estrada é asfaltada e sinalizada, porém muito vulnerável ao clima rigoroso dos Andes. A isoterma de 0°C acima dos 3.800 metros e os ventos fortes aumentam o risco e dificultam o avanço das equipes.
O Comitê de Gestão de Risco de Desastres de San Pedro de Atacama, junto a agências governamentais, Exército, polícia e equipes de resgate especializadas em montanha, lidera as operações. O prefeito Justo Zuleta Santander afirmou que “é só uma questão de tempo até que todos sejam resgatados com segurança”.
Situação atual
Até o momento, não há relatos de feridos graves, e o grupo manteve contato, passando a noite bem agasalhado e protegido dentro dos veículos. A expectativa é que, com a melhora temporária do tempo, todos sejam retirados antes que novas nevascas possam complicar ainda mais o cenário.
Este episódio evidencia os desafios do turismo em regiões de clima extremo e altitudes elevadas, ressaltando a importância da preparação, infraestrutura e resposta rápida para garantir a segurança de visitantes e trabalhadores em áreas remotas.






