Um levantamento nacional realizado pelo Grupo Globo em parceria com a Quaest aponta uma reconfiguração no gosto musical do brasileiro e destaca o crescimento do funk como um dos principais fenômenos culturais da atualidade.
A pesquisa, que ouviu cerca de 10 mil pessoas em entrevistas presenciais, integra o estudo “Cultura do Espelho” e busca compreender hábitos, preferências e valores da população.
Os dados indicam que, embora estilos consolidados permaneçam na liderança, há uma redistribuição de espaço entre os gêneros, com o funk ultrapassando a música eletrônica e ampliando sua presença no cenário nacional.
Preferências revelam força de estilos populares
O sertanejo aparece novamente como o gênero mais citado pelos entrevistados, mantendo ampla vantagem sobre os demais. Em seguida, músicas religiosas ocupam posição de destaque, refletindo a influência crescente da fé na vida cotidiana dos brasileiros.
Ritmos como forró, piseiro e arrocha também figuram entre os mais mencionados, evidenciando o peso das produções regionais e a consolidação de estilos ligados a diferentes identidades locais.
Crescimento do funk acompanha transformação social
O avanço do funk no ranking de preferências é apontado como um dos principais sinais de mudança no comportamento cultural. O gênero, que surgiu em comunidades urbanas, passou por um processo de expansão e hoje atinge diferentes públicos e faixas etárias.
Especialistas indicam que esse crescimento está associado à forte presença do funk nas plataformas digitais, além de sua capacidade de dialogar com temas contemporâneos e com a realidade social de grande parte da população.
Rock mantém base e supera o pop
Outro ponto de destaque é o desempenho do rock, que supera o pop na soma das preferências entre suas versões nacional e internacional. O dado reforça a permanência de um público consolidado e fiel ao gênero, mesmo com a ascensão de novos estilos no mercado.
Já o pop, apesar de sua forte presença global, aparece com menor adesão no levantamento, indicando uma possível desconexão com parte do público brasileiro.
Tradição cultural segue relevante no ranking
Samba, pagode e MPB continuam figurando entre os gêneros mais citados, demonstrando a resistência e a importância histórica dessas vertentes na cultura nacional.
A permanência desses estilos indica que o consumo musical no Brasil ainda é fortemente influenciado por referências tradicionais.
Rap amplia presença, mas ocupa posição intermediária
O rap e o hip hop aparecem com participação significativa, embora ainda não estejam entre os primeiros colocados. O crescimento desses gêneros é associado principalmente ao público jovem e à sua atuação em debates sociais e culturais.
A pesquisa evidencia um país marcado por contrastes e pluralidade. Ao mesmo tempo em que estilos tradicionais seguem dominantes, gêneros emergentes ganham espaço e redefinem padrões de consumo.
O fato de o funk superar a música eletrônica simboliza esse movimento, em que expressões culturais locais passam a ocupar posições de destaque diante de influências globais.






