No início de setembro, o Itaú Unibanco protagonizou um episódio que rapidamente ganhou repercussão nacional: uma demissão em massa que, segundo estimativas não confirmadas, pode ter alcançado a casa dos milhares de funcionários.
O banco não divulgou oficialmente o número de desligamentos, mas relatos surgiram de várias regiões do Brasil, principalmente entre colaboradores que atuavam em modelo remoto ou híbrido.
A movimentação gerou apreensão entre profissionais de diversos setores, ao mesmo tempo em que acendeu um alerta sobre os critérios adotados por grandes empresas na gestão de desempenho à distância.
Brasileiros de todo país recebem comunicados sobre demissão em massa
Durante os primeiros dias após a demissão em massa, surgiram rumores nas redes sociais sobre práticas de monitoramento intenso no home office.
Comentários de ex-funcionários apontavam o uso de dados digitais como justificativa para os desligamentos, o que provocou questionamentos sobre a privacidade no ambiente de trabalho remoto.
Diante da pressão pública e do barulho nas redes, o Itaú decidiu se manifestar oficialmente, esclarecendo sua versão dos fatos.
Segundo a instituição, a demissão em massa ocorreu com base em uma análise individual do engajamento digital de seus colaboradores, conduzida ao longo de quatro meses.
O banco explicou que cruzou informações de uso das ferramentas corporativas com os registros de jornada, identificando padrões de inatividade considerados incompatíveis com a função.
Em casos extremos, houve situações em que o tempo de atividade digital representava apenas 20% da carga horária contratual. Para o Itaú, esse descompasso compromete a confiança necessária em relações profissionais e justifica a decisão pelos desligamentos.
Itaú diz que demissão em massa seguiu a lei, mas sindicato contesta, e episódio revela aprendizado para trabalhadores
O banco também reforçou que todo o processo foi realizado dentro dos limites legais e éticos, sem uso de imagens, gravações ou outros métodos invasivos.
Ainda assim, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região contestou a justificativa.
A entidade afirma que não foi informada previamente sobre os cortes e questiona a validade dos critérios usados para mensurar desempenho, além de denunciar a ausência de advertências formais a alguns dos demitidos.
O episódio levanta questões cruciais para o mundo do trabalho contemporâneo. Em tempos de home office consolidado, profissionais de todas as áreas precisam estar atentos não apenas às suas entregas, mas também à forma como são avaliados.
Transparência, alinhamento de expectativas e domínio das ferramentas digitais tornam-se, mais do que nunca, aspectos centrais para a manutenção de vínculos laborais saudáveis e sustentáveis.





