Um levantamento recente revelou que o Brasil registrou, em 2025, valor médio de R$ 649 no vale-refeição. O dado chama atenção porque, apesar do número aparentemente elevado, a quantia é suficiente para cobrir apenas dez dias úteis de alimentação fora de casa ao longo do mês.
O cenário repete exatamente o observado em 2024, indicando estagnação no poder de compra do benefício em um contexto de custos elevados com alimentação.
Brasil tem valor médio de R$ 649 do vale-refeição
O estudo foi realizado pela Pluxee, empresa especializada em benefícios corporativos, com base na análise da carteira de clientes da plataforma em todo o país.
A pesquisa considerou os valores médios disponibilizados aos trabalhadores e cruzou esses dados com o custo das refeições praticado nos diferentes mercados regionais.
O resultado expõe uma realidade de pressão constante sobre o orçamento de quem depende do vale-refeição para custear as refeições durante a jornada de trabalho.
Entre os estados, há diferenças expressivas. O maior valor médio foi identificado no Rio de Janeiro, com cerca de R$ 646, seguido por Pará e São Paulo, ambos acima de R$ 590.
Na outra ponta, estados do Norte e do Nordeste concentram os menores valores. O Amapá aparece com pouco mais de R$ 436, enquanto Piauí, Alagoas e Paraíba também figuram entre os menores patamares.
Mesmo nos estados com valores mais altos, nenhum alcança cobertura suficiente para a maior parte do mês trabalhado.
Baixo valor do benefício obriga trabalhador a complementar quantia
A limitação do benefício tem levado trabalhadores a complementar as despesas com recursos próprios. Segundo o levantamento, o desembolso médio adicional mensal supera R$ 560.
Em termos práticos, nenhuma unidade da federação chega a cobrir 80% dos dias úteis, o que reforça a percepção de perda de efetividade do vale-refeição diante da inflação dos alimentos e do custo de vida urbano.
Outro ponto observado foi o comportamento de consumo. Quase metade dos usuários concentrou o uso do benefício em poucos estabelecimentos, indicando estratégias de controle de gastos, busca por preços mais baixos ou conveniência.
As compras realizadas pela internet apresentaram tíquete médio mais alto do que as presenciais, reflexo de taxas, delivery e combos fechados.
Vale-refeição ganhará novidades em fevereiro
Diante desse cenário, mudanças regulatórias estão previstas para entrar em vigor em fevereiro de 2026.
As novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador devem alterar o funcionamento do mercado de vales, com impacto direto para empresas, trabalhadores e restaurantes.
Entre os objetivos estão reduzir distorções, limitar taxas cobradas dos estabelecimentos, encurtar prazos de repasse e ampliar a interoperabilidade dos cartões.
A expectativa é que as alterações tragam mais equilíbrio ao sistema e ajudem a preservar a função social do benefício, em um momento em que seu alcance se mostra cada vez mais restrito.





