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Brasil pode sofrer com “desastre térmico” por causa de super El Niño

Por Leticia Florenço
06/04/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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El Niño

Onda de calor - Reprodução/iStock

A possível atuação do El Niño em 2026 já mobiliza centros de pesquisa e autoridades brasileiras. Ainda que a intensidade do fenômeno não esteja completamente definida, previsões indicam alta probabilidade de sua formação, com efeitos mais evidentes a partir do segundo semestre.

O que chama atenção dos especialistas não é apenas a presença do fenômeno, mas o contexto atual de aquecimento global, que tende a amplificar seus impactos.

Temperaturas persistentes e acima da média preocupam especialistas

Relatórios do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais apontam que o país deve enfrentar um período prolongado de temperaturas altas, caracterizado não apenas por picos extremos, mas pela continuidade do calor ao longo de semanas.

Esse comportamento climático aumenta o risco de um “desastre térmico”, expressão usada para descrever situações em que o calor se torna um fator de risco sistêmico.

Interferência direta no ciclo de chuvas e nos recursos hídricos

A influência do El Niño também deve alterar significativamente a distribuição das chuvas no território nacional. Enquanto áreas do Norte podem registrar estiagens mais intensas, o Sul tende a enfrentar episódios de precipitação volumosa.

Já regiões centrais e do Sudeste devem conviver com baixa umidade e calor constante, pressionando reservatórios e sistemas de abastecimento.

A atuação simultânea do El Niño e das mudanças climáticas cria um cenário de sobreposição de riscos. Eventos recentes já demonstraram que mesmo fenômenos considerados moderados podem gerar consequências severas em um planeta mais quente.

O aumento da temperatura média global, aliado ao desmatamento e à emissão de poluentes, contribui para a intensificação desses episódios.

Saúde pública entra em zona de alerta com calor contínuo

Para o climatologista José Marengo, o calor extremo representa uma ameaça silenciosa, com efeitos que se acumulam ao longo do tempo.

A exposição prolongada a altas temperaturas pode agravar doenças crônicas, elevar índices de mortalidade e comprometer a capacidade de adaptação da população, especialmente em áreas urbanas densas.

Pressões econômicas devem aumentar no cotidiano

O impacto do calor não se limita ao ambiente natural. O aumento da demanda por energia elétrica, impulsionado pelo uso constante de sistemas de refrigeração, pode encarecer tarifas.

Paralelamente, a produção agrícola tende a sofrer com estresse térmico, irregularidade hídrica e eventos extremos, o que pode resultar em elevação de preços e redução da oferta de alimentos.

Um risco que exige resposta coordenada

Com alta probabilidade de ocorrência do El Niño, especialistas defendem a adoção de estratégias preventivas em diversas frentes.

Planejamento urbano, gestão de recursos naturais e políticas públicas voltadas à adaptação climática serão fundamentais para reduzir os impactos de um possível ano marcado por calor extremo e desequilíbrios ambientais.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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