O bilionário e filantropo Bill Gates publicou um memorando criticando o que chama de “visão apocalíptica” sobre as mudanças climáticas.
Para ele, embora reduzir as emissões de gás carbônico seja importante, concentrar-se apenas em metas climáticas imediatas pode desviar atenção e recursos de problemas mais urgentes, como a pobreza e a saúde global.
“Eu deixaria a temperatura subir 0,1 grau para acabar com a malária. As pessoas não entendem o sofrimento que existe hoje”, afirmou Gates, reforçando a necessidade de olhar para as vidas humanas em situação de vulnerabilidade.
Foco estratégico para a COP30
No memorando, Gates sugere duas prioridades para a conferência climática da ONU, tornar a produção sustentável economicamente competitiva e aumentar o rigor na mensuração de impactos.
Ele defende que decisões estratégicas devem se basear em dados confiáveis, priorizando ações que tragam maior benefício direto ao bem-estar humano. “Priorize as coisas que têm o maior impacto no bem-estar humano.
É a melhor maneira de garantir que todos tenham a chance de viver uma vida saudável e produtiva”, destacou.
Filantropia e compromisso com a saúde global
Após se afastar da liderança da Microsoft, Gates dedica-se à Fundação Gates, que concentra esforços em educação, desenvolvimento e saúde em regiões carentes do mundo. Entre os principais projetos estão ações de combate à malária, HIV/Aids e tuberculose.
O empresário alerta que o foco exagerado em metas climáticas de curto prazo pode desviar recursos de áreas que oferecem benefícios mais equitativos, como acesso à energia, infraestrutura e resiliência agrícola.
Desafios da COP30
A COP30 ocorrerá de 10 a 21 de novembro em Belém, no Pará, e reunirá países para atualizar compromissos climáticos nacionais e avaliar o progresso das metas de energia renovável.
Apesar de mais de uma década de esforços para limitar o aquecimento global a menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais, os objetivos do Acordo de Paris ainda estão longe de serem alcançados.
Gates sugere unir políticas climáticas a estratégias de saúde, educação e desenvolvimento social, garantindo que os efeitos das mudanças climáticas sejam reduzidos de forma justa e inclusiva.






