O mercado de tênis experimentou crescimento contínuo nas últimas duas décadas, consolidando-se como um segmento dominante e presente em situações cotidianas e ambientes mais formais. Essa expansão favoreceu grandes marcas como Adidas, Nike e Puma, ao mesmo tempo em que abriu espaço para novos concorrentes, como Hoka e On, que rapidamente conquistaram relevância após a crise financeira.
Durante a pandemia, o setor alcançou seu ponto mais alto: a adoção do home office e a valorização do conforto impulsionaram as vendas, elevando os tênis de menos de um quarto para cerca de metade do total de calçados comercializados globalmente. Apesar desse desempenho robusto, análises recentes do Bank of America indicam que o crescimento tende a se estabilizar, sinalizando uma fase de normalização para a categoria.
Análise do Bank of America
Em um relatório de 61 páginas, o Bank of America indicou que o ciclo de crescimento do mercado de tênis, vigente há cerca de duas décadas, tende a se estabilizar, com a expansão anual projetada caindo de aproximadamente 9% para 4–5%. Os dados mostram que o impulso registrado durante a pandemia não deve se repetir, e o ritmo futuro será mais moderado, embora o segmento continue relevante.
Nos Estados Unidos, os tênis representam atualmente cerca de 60% das vendas totais de calçados. No último ano, a categoria registrou crescimento de 4%, enquanto o segmento de calçados de moda caiu 3%, reforçando que a preferência por conforto e praticidade permanece consolidada entre os consumidores.
Mercado dos tênis
Ao mesmo tempo, o mercado tem registrado maior sofisticação, com modelos premium e colaborações com marcas de luxo, aproximando os tênis de calçados sociais. O sucesso de modelos híbridos e de alto valor de revenda em plataformas especializadas evidencia essa tendência, mostrando que o produto não apenas mantém relevância, mas também se adapta a diferentes perfis de consumo.
O setor, contudo, enfrenta obstáculos significativos. Alterações nas preferências dos consumidores, volatilidade do mercado chinês e efeitos de tarifas internacionais exigem ajustes contínuos por parte das marcas. Apesar desses desafios, a procura por calçados esportivos continua a refletir tendências de longo prazo relacionadas a conforto, saúde e bem-estar, reforçando o caráter duradouro da preferência pelos tênis.






