Ao longo desta semana, representantes dos trabalhadores têm intensificado as negociações com o Itaú Unibanco em uma tentativa de barrar as demissões em massa promovidas pela instituição.
A terceira rodada de conversas aconteceu na quinta-feira, 18 de setembro, mas até o momento o resultado da reunião não foi divulgado. Os dois encontros anteriores terminaram sem avanço.
A mobilização ocorre após o desligamento de mais de mil funcionários, segundo estimativas, já que o número oficial não foi confirmado pelo banco, a maioria em regime de home office ou híbrido, gerando forte repercussão entre os bancários
Bancários tentam reverter demissões em massa no Itaú
As dispensas foram anunciadas oficialmente em 8 de setembro e, segundo o Itaú, baseiam-se em análises individualizadas de produtividade durante o trabalho remoto.
De acordo com o banco, os desligamentos ocorreram após seis meses de monitoramento, que teriam revelado baixa atividade digital e divergências entre os registros de jornada e o uso efetivo de sistemas corporativos.
Em nota oficial, a instituição afirmou que houve casos de marcação de horas extras sem correspondência com o volume de trabalho registrado, o que, segundo a empresa, configura quebra de confiança.
O movimento sindical, no entanto, contesta a narrativa do banco. Para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, os critérios adotados para as demissões são opacos e pouco confiáveis.
A entidade critica o uso de métricas digitais como base para decisões dessa magnitude, apontando falhas possíveis em algoritmos e ausência de qualquer processo de advertência ou diálogo prévio com os trabalhadores afetados.
Além disso, há relatos de profissionais premiados recentemente por desempenho que foram surpreendidos com a demissão.
Bancários dizem que Itaú não tentou negociar antes da demissão em massa
O sindicato também questiona a forma como o processo foi conduzido, alegando que não houve comunicação prévia ou tentativa de negociação antes dos cortes, o que é obrigatório em caso de demissão em massa.
A entidade afirma que busca, por meio dessas reuniões, reverter as demissões e reabrir o diálogo com o banco sobre critérios justos de avaliação no trabalho remoto. A Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) foi acionada para mediar as conversas.
Na quarta-feira, 17 de setembro, trabalhadores organizaram um protesto no Centro Empresarial Itaú Conceição, na zona sul da capital paulista.
A pressão deve continuar nas próximas semanas, com possibilidade de novas mobilizações e medidas judiciais, caso o impasse persista.





