O governo brasileiro discute com o Equador a abertura do mercado nacional para importações de banana produzida no país andino.
O acordo, sinalizado após reuniões entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Noboa, prevê a entrada gradual da fruta equatoriana no Brasil, podendo atingir até 100 mil toneladas em dois anos.
No entanto, o avanço dessa negociação tem gerado forte reação entre produtores brasileiros, especialmente aqueles ligados à agricultura familiar, que veem a medida como uma ameaça direta tanto à economia rural quanto à segurança sanitária da produção nacional.
Banana pode acabar com agricultura familiar brasileira por esse motivo
Segundo representantes do setor, a principal preocupação é que a banana equatoriana chegue ao país com preços muito abaixo dos praticados no mercado interno, inviabilizando a concorrência, especialmente para os pequenos agricultores.
Mais de 60% da produção brasileira de banana vem da agricultura familiar, com forte presença nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul.
Por ser uma cultura que exige mão de obra intensiva e não permite mecanização em larga escala, a banana sustenta cerca de dois milhões de empregos diretos, movimentando mais de R$ 16 bilhões ao ano.
Para esses produtores, competir com um produto mais barato e subsidiado representa o risco de colapso financeiro.
Possibilidade de transmissão de doenças e pragas que prejudiquem produtores brasileiros também preocupam
Além da questão econômica, o setor levanta sérias preocupações fitossanitárias.
Técnicos e associações de bananicultores alertam que o Equador convive com pragas ainda inexistentes no Brasil, como o Fusarium raça 4 tropical (TR4), causador de uma doença fúngica altamente destrutiva, e o vírus do mosaico das brácteas da banana.
A presença dessas doenças no território nacional poderia dizimar plantações inteiras, especialmente das variedades mais cultivadas por aqui, como a banana prata e a banana nanica.
Segundo especialistas, uma vez presente no solo, o TR4 torna a terra improdutiva por tempo indeterminado, sem tratamento eficaz.
Confederações e associações de produtores e vendedores de bananas pedem que governo reveja negociações
Entidades têm pressionado o governo federal a rever os termos da negociação e realizar novos estudos de risco antes de qualquer liberação.
Entre elas, estão a Confederação Nacional dos Bananicultores (Conaban), a Associação Brasileira dos Varejistas de Hortifrutigranjeiros (Abavar) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Para elas, a abertura do mercado à banana equatoriana pode gerar perdas bilionárias, prejudicar milhares de famílias e colocar em risco a própria soberania da produção nacional de alimentos.





