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Bala conhecida por ser “da morte” é banida do Brasil

Por Leticia Florenço
06/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Bala Soft - Reprodução

Bala Soft - Reprodução

Durante décadas, a bala Soft foi presença garantida em cantinas escolares, armazéns de bairro e festas de aniversário. Colorida, pequena e com sabores variados, conquistou crianças e adultos, tornando-se uma das guloseimas mais populares do Brasil entre os anos 80 e 90.

Criada pela fábrica Q-Refres-Ko na década de 1960, a Soft chegou a ser exportada para os Estados Unidos, com mais de 100 milhões de unidades enviadas apenas em 1987. Vendida em saquinhos plásticos transparentes de até 100 unidades, seu preço acessível e a praticidade de compra fizeram dela um sucesso imediato.

O perigo escondido

O que encantava também trazia risco. O formato redondo, liso e do tamanho aproximado de uma moeda de R$ 1 facilitava que a bala fosse aspirada acidentalmente para as vias aéreas.

Relatos de sufocamento se multiplicaram, especialmente entre crianças pequenas, e os sintomas incluíam tosse persistente, falta de ar, chiado no peito e gestos de desespero levando as mãos ao pescoço.

A recomendação médica era procurar atendimento de emergência imediato, sem tentar remover a bala com as mãos ou bater nas costas.

A reação das famílias e escolas

O aumento dos casos de engasgo gerou pressão de pais e escolas, que passaram a proibir a venda da Soft em cantinas e docerias próximas. Mesmo sem registros oficiais de mortes, a bala ganhou o apelido de “bala da morte”, consolidando sua fama assustadora entre gerações.

Após a compra da Q-Refres-Ko pela multinacional Philip Morris em 1993, a Soft foi retirada do mercado. Nos anos seguintes, houve tentativas de relançar o produto em versões mais seguras, com um furo central semelhante às balas Lifesavers, para reduzir o risco de asfixia.

Atualmente, a indústria Berbau, de Erechim (RS), fabrica a Soft Classic, vendida com sabores tradicionais e exportada, sem registros de engasgo desde 2000.

Um doce que virou lenda urbana

A Soft sobrevive na memória afetiva como ícone das guloseimas de balcão, lado a lado com marcas como 7 Belo e Ploc. Ao mesmo tempo, carrega a reputação de doce perigoso, cercado por histórias de acidentes e teorias conspiratórias que nunca foram comprovadas.

Sua trajetória mistura nostalgia, sabor e alerta, lembrando que nem todo doce aparentemente inofensivo é totalmente seguro.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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