Um estudo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) revelou uma realidade preocupante: moradores de bairros de baixa renda são os mais impactados pelas consequências da mudança climática no Estado.
A pesquisa mostra que a exposição a calor extremo é mais intensa entre famílias que vivem em regiões com pouca infraestrutura urbana, moradias inadequadas e escasso acesso a climatização.
Bairros de baixa renda são os que mais sofrem com mudança climática
A pesquisa faz parte do projeto “Risco e vulnerabilidade socioambiental a eventos extremos de calor em cidades do Mato Grosso do Sul”, coordenado pela professora Gislene Figueiredo Ortiz Porangaba, doutora em Geografia pela UFMS.
O levantamento sobre as consequências da mudança climática sobre a vulnerabilidade socioambiental analisou dados entre 2001 e 2022 em quatro cidades sul-mato-grossenses: Campo Grande, Dourados, Corumbá e Três Lagoas.
Os resultados referentes a Três Lagoas, já publicados na edição de setembro da Revista Brasileira de Climatologia, revelam um aumento expressivo na frequência e na intensidade de ondas de calor nas últimas duas décadas.
Segundo os dados levantados, a cidade de Três Lagoas registrou um salto de apenas quatro eventos extremos de calor entre 2001 e 2006 para dezesseis ocorrências entre 2017 e 2022.
Em 2019, foram identificadas mais de 280 horas de calor intenso, com picos de temperatura que ultrapassaram os 40 °C. Imagens de satélite revelaram ainda temperaturas de superfície que chegaram a 55 °C em áreas mais densas da cidade.
Calor provocado por mudança climática afeta as famílias de modo diferente
O estudo evidencia que essa elevação nas temperaturas não afeta a população de maneira uniforme.
Bairros com maior renda, infraestrutura adequada e presença de áreas verdes conseguem mitigar os efeitos do calor com recursos como ar-condicionado e construções com materiais térmicos.
Em contraste, regiões como Vila Haro e Vila Zuque, onde predomina a baixa renda, concentram as maiores vulnerabilidades: casas com pouca ventilação, ruas sem arborização e ausência de climatização artificial tornam a vida nessas áreas muito mais difícil durante períodos de calor extremo.
A pesquisadora destaca que, embora o uso de climatizadores seja uma solução emergencial, o enfrentamento do problema exige ações públicas duradouras.
Medidas como o aumento da cobertura vegetal, incentivo à pintura de casas com cores claras e o planejamento urbano voltado à redução das ilhas de calor são estratégias fundamentais para combater a desigualdade térmica nas cidades.





