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Bahia tem a cidade mais alta e fria de todo Nordeste

Por Raianne Romão
22/06/2025
Em Geral
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Foto: Prefeitura Municipal de Piatã/Divulgação

Foto: Prefeitura Municipal de Piatã/Divulgação

No coração da Chapada Diamantina, onde o calor do sertão costuma imperar, existe um refúgio surpreendentemente frio. Estamos falando de Piatã, o município mais alto do Nordeste brasileiro, que ostenta uma atmosfera digna de cidade serrana do Sul do país — com direito a lareira acesa, manhãs com neblina densa e noites em que o termômetro quase beira os 0 °C.

Com 1.280 metros de altitude, Piatã está localizada em uma das regiões mais elevadas da Bahia.

A combinação de altitude, relevo montanhoso e clima seco explica por que as temperaturas na cidade, especialmente durante o inverno, chegam facilmente à casa de um dígito — um contraste marcante com o estereótipo tropical da região.

Natureza exuberante e turismo de aventura

A geografia privilegiada transforma Piatã em um verdadeiro paraíso para os amantes da natureza. Cachoeiras cristalinas, como as do Patrício, Cochó, Malhada da Areia e Bica do Machado, se espalham pelas redondezas e convidam a trilhas, banhos refrescantes e contemplação.

Serra do Navio, ponto turístico de Piatã. Foto: Prefeitura Municipal de Piatã/Divulgação

Para os aventureiros, o grande desafio é subir o Pico do Barbado, ponto mais alto do Nordeste com impressionantes 2.033 metros de altitude. A trilha, de dificuldade moderada, pode ser concluída em cerca de quatro horas e oferece visuais panorâmicos da Chapada.

Outras trilhas populares levam à Serra do Tromba e à Serra da Santana, esta última com forte apelo religioso, sendo rota de romaria até a capela do Senhor do Bonfim.

Onde o frio e o café se encontram

Apesar do clima atípico, o frio não é o único atrativo. Piatã é reconhecida por sua vocação agrícola, especialmente na produção de cafés especiais, que já renderam à cidade prêmios internacionais. Não à toa, ela é chamada de “Terra do Café”.

Em meio às serras, diversas fazendas abrem suas porteiras para visitas guiadas, degustações e experiências sensoriais que envolvem aromas de chocolate, canela e frutas vermelhas.

Entre os destaques está a Fazenda Rigno, referência em cultivo sustentável e processos artesanais. Para quem aprecia um bom café, a experiência vai muito além do paladar — envolve história, tradição e contato direto com a terra.

Viagem ao passado: arqueologia e arquitetura colonial

Piatã também guarda relíquias históricas. Na Serra do Gentil, vestígios de pinturas rupestres datadas de até 12 mil anos revelam aspectos da ocupação humana desde o Paleolítico.

Já no centro da cidade, igrejas como a Matriz do Bom Jesus e a Capela de Nossa Senhora do Rosário — construções do período colonial — narram o ciclo do garimpo e da expansão bandeirante pelo sertão baiano.

Cultura, festas e clima serrano no São João

Durante o mês de junho, o frio da serra ganha a companhia do calor humano das festas juninas. O São João de Piatã é celebrado com entusiasmo: shows na praça central, arrastões e apresentações de artistas como Matruz com Leite, Márcia Felipe, Vitor Fernandes e Jó Miranda animam moradores e turistas entre os dias 21 e 24 de junho. É a chance perfeita para curtir o clima típico do interior, com forró, fogueira e comida típica.

Cidade pequena, alma acolhedora

Com cerca de 20.859 habitantes (estimativa de 2024), Piatã preserva o ritmo tranquilo das cidades do interior. Sua baixa densidade populacional — apenas 11 pessoas por km² — revela um território vasto e ainda pouco urbanizado, onde a natureza predomina sobre o concreto.

Na economia, a cidade apresenta desenvolvimento moderado, com um PIB per capita de R$ 14.405,06 (2021) e taxa de formalização de empregos abaixo dos 8%. Grande parte da população vive com renda de até meio salário mínimo.

Ainda assim, a cidade avança em áreas essenciais como educação, com taxa de escolarização superior a 98% entre crianças de 6 a 14 anos e IDEB de 6,1 nos anos iniciais do ensino fundamental — acima da média nacional.

Desafios urbanos

Apesar dos avanços em educação e preservação ambiental — com 50,3% de arborização urbana —, Piatã ainda enfrenta desafios estruturais. Em 2010, apenas 4,7% das moradias possuíam esgotamento sanitário adequado e menos de 4% das vias eram pavimentadas. O contraste entre o tamanho do município (mais de 1.800 km²) e sua área urbana (5,39 km²) reforça a vocação rural e a necessidade de investimentos em infraestrutura.

Um destino para desacelerar

Piatã é, acima de tudo, um lugar onde se vive com calma. Um ponto fora da curva no mapa da Bahia, onde o frio é companheiro, o café é arte e a natureza, protagonista. Para quem deseja desconectar do ritmo acelerado, a cidade oferece um mergulho no silêncio, na simplicidade e na autenticidade do interior baiano em sua forma mais genuína.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
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Raianne Romão

Raianne Romão

Raianne Romão é comunicóloga com habilitação em Jornalismo e graduanda de Letras/Inglês. Atualmente é redatora no Tribuna de Minas. Já atuou como redatora nos segmentos de coluna social, entretenimento e benefícios socias. Já atuou também nas áreas de Marketing Digital e Assessoria de Imprensa. Além disso, atuou como produtora de conteúdo audiovisual, redatora e social media no Jornal do Commercio.

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