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Ave gigante dada como extinta surge de novo na natureza

Por Leticia Florenço
01/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Durante décadas, o takahē foi apenas um nome em livros antigos e relatórios científicos. Grande, colorida e incapaz de voar, a ave desapareceu da paisagem da Nova Zelândia sem deixar rastros recentes, reforçando a crença de que havia sido definitivamente extinta.

Sua ausência prolongada transformou o takahē em uma espécie quase lendária, lembrada mais pela perda do que pela presença.

Uma ave moldada pelo chão, não pelo céu

Diferente da maioria das aves, o takahē evoluiu para viver exclusivamente no solo. Com pernas fortes, corpo robusto e hábitos totalmente terrestres, dependia de campos de gramíneas nativas em regiões montanhosas.

Essa adaptação extrema garantiu sucesso por séculos, mas também tornou a espécie altamente sensível a qualquer mudança no ambiente.

O avanço humano e o colapso da espécie

A chegada de humanos e de animais introduzidos alterou drasticamente esse equilíbrio. A caça direta, a transformação do habitat natural e, principalmente, a presença de predadores mamíferos levaram à destruição de ninhos e à queda acelerada da população.

No fim do século XIX, após a captura do último exemplar conhecido, o takahē foi oficialmente declarado extinto.

O reencontro inesperado nas montanhas

Quando a extinção parecia definitiva, a história tomou um rumo improvável. Em uma região remota e de difícil acesso nas montanhas de Fiordland, acima do lago Te Anau, pesquisadores localizaram indivíduos vivos da espécie.

O isolamento, o clima rigoroso e os campos altos funcionaram como um refúgio natural, permitindo a sobrevivência silenciosa da ave por décadas.

Ciência, manejo e vigilância constante

Mesmo ainda classificado como ameaçado, o takahē hoje conta com uma população estimada em cerca de 500 indivíduos. Esse avanço é resultado de reprodução assistida, monitoramento permanente, controle rigoroso de predadores e da criação de populações de segurança em ilhas e áreas protegidas.

No Burwood Takahē Centre, filhotes são criados em ambientes controlados que reproduzem as condições naturais do habitat original. Ali, aprendem a forragear, reconhecer alimentos e desenvolver comportamentos essenciais para a vida selvagem, aumentando as chances de sucesso quando retornam ao ambiente natural.

Reocupar territórios e garantir o futuro

Com o crescimento gradual da população, o programa avançou para a reintrodução planejada em regiões onde a espécie existia historicamente.

Parques nacionais e áreas naturais passaram a receber pequenos grupos, formando uma metapopulação manejada para preservar a diversidade genética e reduzir riscos de novos declínios.

Para o povo Ngāi Tahu, da Ilha do Sul, o takahē é considerado um taonga, um tesouro natural. A proteção da ave envolve a atuação de kaitiaki, guardiões tradicionais que participam das decisões de conservação, fortalecendo a conexão entre biodiversidade, cultura e território.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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